Os confrontos que agitaram a Etiópia no verão, após a morte de um popular cantor e ativista, mataram pelo menos 123 pessoas, das quais 75 foram mortas pelas forças de segurança do país, revela um novo relatório hoje publicado.

O documento, publicado pela Comissão de Direitos Humanos da Etiópia, conclui que, no total, 123 pessoas morreram e pelo menos 500 ficaram feridas naquele surto de violência, entre junho e julho, um dos piores nos últimos anos no país.

Às forças de segurança etíopes, o relatório atribui mais de 75 mortes e 200 feridos durante os confrontos.

Para a comissão, tratou-se de "um ataque generalizado e sistemático" contra civis, que sugere a existência de crimes contra a humanidade.

A violência étnica é um desafio para o primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, que recebeu o Nobel da Paz em 2019.

Abiy tem apelado à unidade nacional entre as mais de 80 etnias existentes no segundo país mais populoso de África, com 110 milhões de habitantes.

A violência de junho e julho foi desencadeada pelo homicídio de um popular cantor e ativista da maioria étnica oromo, Hachalu Hundessa, considerado a voz do povo oromo durante os anos de protestos antigovernamentais que em 2018 levaram ao poder o atual primeiro-ministro, Abiy Ahmed, também ele oromo.

A notícia da morte do cantor, conhecido pelas suas canções de protesto político, desencadeou uma série de manifestações, que degeneraram em confrontos com as forças de segurança.

Os confrontos de junho e julho não estão relacionados com a recente violência na região etíope de Tigray, cuja tentativa de secessão em novembro foi travada no último momento pelo Governo de Abiy Ahmed com uma guerra entre 04 e 28 de novembro.

Apesar do anúncio de Adis Abeba do fim da operação militar em 28 de novembro, os combates continuam em todo o estado do Tigray, segundo as Nações Unidas, que lamentam o facto de as autoridades etíopes estarem a restringir o seu acesso à região.

Não existe até agora qualquer balanço preciso do número de mortos e feridos resultante do conflito em Tigray. Os combates forçaram mais de 50.000 pessoas a procurar refúgio no vizinho Sudão e deslocaram mais de 63.000 pessoas dentro da região, de acordo com as Nações Unidas.

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