Há um tom quase apocalíptico nestes dias finais do duelo Hillary/Trump.

A dois dias da grande decisão, as posições extremam-se. 

E isso, na lógica bipartidária da política americana, é relativamente inevitável numa eleição presidencial.

A questão é que as características dos dois candidatos, e a forma como a campanha foi resvalando nas últimas semanas, está a tornar esta eleição o momento mais tenso, feio e assustador da política americana. 

Hillary reforça a ideia de que Trump é inaceitável e pôs os seus trunfos (Barack, Michelle, Bernie) a repetir que um presidente Trump ia lançar o caos e não teria controlo suficiente para manter a calma em momentos de tensão.

Trump escala na acusação de Hillary “tem que ir para a prisão” e acusa o Presidente Obama de ser “parceiro no crime” ao fazer campanha todos os dias pela candidata democrata.

Ela ou o caos, dizem os democratas. Ele ou provocamos o caos, avisam os republicanos. 

Donald, nos últimos dias, foi-se aproximando das posições dos republicanos, sabendo que eles precisam de mobilizar o eleitorado que é comum ao nomeado do GOP e aos candidatos ao Congresso, apesar de tantas divergências de tom e estilo ocorridas nos últimos meses entre Trump e vários políticos do partido.

Os dados estão lançados.

Hillary agarra-se ao melhor da herança Obama (os números da criação de emprego continuam bons; o Presidente sairá com taxa de popularidade elevada) e tenta mobilização de última hora com um recordar de um registo inacreditável de insultos, aleivosias e falsidades ditas por Trump nestes meses.

Trump insiste na tecla da necessidade de mudança, acena com a ingovernabilidade em caso de Hillary eleita, não só pela paralisação política a ser criada pelos republicanos no Congresso mas também pela convicção do candidato de que a adversária “passará a vida em tribunais” depois de ser eleita. 

Talvez nem tenha condições de vir a tomar posse”, atirou Rudy Giuliani, principal conselheiro político da campanha Trump.

Que peso terá esta ‘coligação negativa’ de última hora Donald e os congressistas republicanos, com o interesse comum de bloquear uma Administração Hillary?

Ainda não se sabe. Mas um cenário de “gridlock” tem sido o prato do dia em Washington DC há vários anos. É um ‘novo normal’ que pode ainda piorar depois deste duelo Hillary/Trump.

Clinton deve ganhar, mas precisa de vitória clara para não dar espaço a uma contestação do campo oposto. Um resultado muito apertado seria abrir caminho ao caos.

Os argumentos finais são conhecidos. 

Nas horas que restam, agora terá só a ver com perceções, força para somar comícios nos estados decisivos e tentar um último sprint.

May God Bless the United States of America

Germano Almeida