Os principais dirigentes democratas na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos adiaram abruptamente a esperada votação desta sexta-feira do plano de medidas sociais e ambientais para os próximos 10 anos do Presidente Joe Biden.

Altos responsáveis democratas haviam dado como certa a votação para esta sexta-feira, mas acabaram por prevalecer as dificuldades dos líderes do partido para equilibrar as exigências, de progressistas e moderados, à agenda doméstica de Biden, cujo plano social e ambiental ascende a 1,85 biliões de dólares (1,56 biliões de euros).

Numa tentativa de dar a Biden a vitória necessária, os líderes democratas na Câmara dos Representantes preparavam-se para tentar fazer aprovar em paralelo um outro pacote de um bilião de dólares (cerca de 865 mil milhões de euros) para projetos de estradas e infraestruturas.

Com os legisladores determinados a deixar Washington para uma pausa de uma semana, os planos dos líderes democratas deixaram, assim, em aberto, uma decisão num partido que tentou ao longo de várias semanas encontrar um meio-termo no enorme pacote de iniciativas de saúde, educação, família e alterações climáticas.

A pequena maioria dos democratas necessita de todos os votos dos seus legisladores no Senado e não mais do que três “desertores” na Câmara dos Representantes.

Muitos esperavam que a Câmara aprovasse esta sexta-feira tanto a medida quanto o projeto de infraestruturas, conquistando dois triunfos para um Presidente e um partido ansiosos para recuperar das derrotas nas eleições desta semana e mostrar que têm condições para governar, indica a AP.

Mas esses planos saíram esta sexta-feira frustrados, quando, após horas de negociações, meia dúzia de moderados insistiu que votaria contra o amplo projeto de lei social e ambiental se o gabinete apartidário de Orçamento do Congresso não adiantasse uma estimativa dos custos da medida. 

Os líderes democratas responderam, então, que isso demoraria dias demais.

O atraso desta sexta-feira, refere a AP, pode significar que a projeção estará pronta quando a votação for realizada, ou seja, dentro de uma semana. 

Para progredir na visão do Presidente, é importante que avancemos hoje com a Comissão de Infraestrutura Bipartidária e com a ‘Lei Construir Melhor’ [Build Back Better Act, rejeitado totalmente pelos republicanos]”, escreveu a presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, aos democratas, acrescentando que a agenda que está na mesa é “transformadora e histórica e desafiadora”.

A aprovação pela Câmara do grande projeto de lei é um passo crucial, enviando ao Senado o ambicioso esforço de expansão dos cuidados de saúde, cuidados infantis e outros serviços sociais para milhões de norte-americanos e proporcionando o maior investimento no país até agora para combater as alterações climáticas.

Juntamente com o pacote de estradas, pontes e banda larga, Biden quer reconstruir o país a partir da crise da covid-19 para enfrentar uma economia em mudança. Contudo, continua sem os votos suficientes dentro da sua bancada.

A estratégia parece agora concentrar-se em aprovar o projeto de lei mais robusto possível na sua câmara e depois deixar ao Senado ajustar ou retirar as porções que os seus membros não concordarem. 

Metade do pacote inicial de 3,5 biliões de dólares (3,02 biliões de euros) de Biden conquistou a maioria dos legisladores democratas progressistas, apesar de ser mais pequeno do que pretendiam. Mas os democratas mais centristas e fiscalmente conservadores da câmara continuaram a levantar objeções. 

Globalmente, o pacote continua a ter um alcance mais vasto do que qualquer outro em décadas. 

/ NM