A Califórnia tornou-se o primeiro estado americano a exigir às grandes superfícies que exibam os brinquedos e artigos de crianças, nos corredores, de uma forma "neutra".

A nova lei, assinada no sábado pelo Governador Gavin Newsom, não proíbe a existência de uma secção para “rapazes” e outra para “raparigas”, no entanto, as grandes superfícies deverão ter uma secção “neutra”.

Manter itens semelhantes que são tradicionalmente comercializados para meninas ou meninos separados torna mais difícil para o consumidor comparar os produtos e implica incorretamente que seu uso por um gênero é inadequado, explica o corpo da legislação.

Para além disso, as lojas devem ter uma “seleção razoável” de brinquedos e artigos de criança, independentemente de estes terem sido comercializados para um determinado sexo.

Se não cumprirem as normas, as empresas podem enfrentar multas pesadas.

A lei foi aprovada, no mês passado, pela legislatura estatal da Califórnia e entrará em vigor em 2024 e vai abranger os retalhistas da Califórnia com 500 ou mais empregados.

O Deputado Democrata Evan Low, um dos co-autores da lei, admitiu que este decreto foi inspirado na filha, de oito anos, do seu funcionário, que perguntou à mãe porque é que tinha de ir à seção de rapazes para encontrar certos brinquedos.

A segregação dos brinquedos por uma construção social do que é apropriado, para a qual o género é a antítese do pensamento moderno", afirmou Evan Low, numa declaração.

O deputado salienta ainda que a classificação de brinquedos por género levou à “proliferação da ciência, da tecnologia, da engenharia e da matemática" nas secções de rapazes, enquanto as raparigas são orientadas para atividades como "cuidar de um bebé, da moda, e da vida doméstica".

A Federação dos Consumidores da Califórnia, um grupo de defesa do consumidor, tem estado entre os que são a favor da lei.

Numa declaração ao jornal The Sacramento Bee, a federação afirmou que a separação dos produtos por género "ajuda a disfarçar o infeliz facto de os produtos femininos terem frequentemente preços mais elevados do que os masculinos".

Um dos maiores oponentes à norma, a organização conservadora California Family Council, diz que o projeto é um “esquema de marketing” de Rob Smith, o proprietário da marca de roupa The Phluid Project, para vender as suas roupas de género neutro.

Vocês têm que dar crédito ao Rob Smith. Ele encontrou um plano de marketing bastante audacioso ao pedir ao jornal para forçar os vendedores da Califórnia a abrirem espaço para os seus produtos, salientou o presidente do Conselho de Família da Califórnia, Jonathan Keller, em um comunicado.

Redação / IC