Os Estados Unidos impuseram novas sanções económicas a membros dos ministérios cubanos do Interior e das Forças Armadas Revolucionárias, por participação na repressão dos recentes protestos contra o Governo.

Os visados são desta vez dois funcionários do Ministério Interior cubano, Romarico Vidal Sotomayor Garci e Pedro Orlando Martinez Fernandez, e ainda as tropas de prevenção do Ministério das Forças Armadas Revolucionárias, segundo divulgou, em comunicado, o Departamento do Tesouro norte-americano

Os possíveis ativos nos Estados Unidos estão congelados e o acesso ao sistema financeiro daquele país é agora proibido aos visados, noticia a agência AFP.

Estas sanções surgem após Washington já ter imposto no final de julho medidas semelhantes ao regime comunista cubano.

O Departamento do Tesouro continuará a punir aqueles que permitem ao governo cubano cometer violações dos direitos humanos contra manifestantes pacíficos”, sublinhou a diretora do gabinete de programas de sanções no Departamento do Tesouro norte-americano, Andrea Gacki.

O ministro dos Negócios Estrangeiros de Cuba, Bruno Rodríguez, classificou na sexta-feira como “oportunistas” as mais recentes sanções económicas norte-americanas.

Para o diplomata, que reagiu através da rede social Twitter, as sanções “refletem o duplo padrão de um Governo acostumado à manipulação e mentira para manter o bloqueio contra Cuba”.

As sanções anteriores, aplicadas recentemente pelos Estados Unidos, tiveram como alvo a polícia cubana.

O presidente dos EUA, Joe Biden, tem enfrentado uma pressão crescente por parte do Congresso e da grande comunidade cubano-americana para adotar medidas mais concretas.

Joe Biden já tinha referido que surgiriam “outras sanções, caso não houvesse uma mudança drástica em Cuba”.

No entanto, o impacto destas medidas, que se somam a muitas outras já tomadas durante décadas, é muito limitado, até porque o Ministério do Interior cubano já estava como um todo na ‘lista negra’ norte-americana.

Nos dias 11 e 12 de julho, milhares de cubanos protestaram com palavras de ordem como "temos fome" ou "abaixo a ditadura".

No final destas manifestações, as mais importantes desde a revolução que levou Fidel Castro ao poder em 1959, cerca de 100 pessoas foram presas, segundo várias organizações da oposição.

Washington imediatamente condenou a repressão e apoiou os manifestantes, prometendo ajudar os cubanos.

Agência Lusa / MJC