No dia em que se realiza a autópsia ao corpo encontrado no Parque Nacional Grand Teton, no estado americano de Wyoming, e que, tudo indica, corresponde à descrição de Gabby Petito, a polícia da Flórida continua à procura de Brian Laundrie, o namorado que está desaparecido há uma semana.

Os pais garantem que não veem Brian nem têm qualquer notícia dele desde terça-feira da semana passada, quando o rapaz de 23 anos saiu de casa com uma mochila às costas, dizendo que ia passar uns tempos na Reserva de Carlton, uma reserva natural com mais de cem quilómetros quadrados.

É aí que, segundo o porta-voz da polícia, Josh Taylor, têm decorrido as buscas, com a ajuda de drones e de cães que usam peças de roupa de Laundrie para tentar farejá-lo.

Se se tratar de alguém que queira fugir às autoridades, este é de facto um bom esconderijo, explicou à CNN Chris Boyer, diretor da Associação Nacional de Busca e Resgate. De dia, a folhagem tapa a luz solar, afetando a visibilidade. De noite, as buscas também não progridem, especialmente se a pessoa procurada não tiver nenhuma fonte de luz ou fogo.

Um fugitivo usará provavelmente roupas que o ajudem a misturar-se com a natureza. Para não ser visto por helicópteros ou drones, o indivíduo também pode rastejar no leito dos rios e terá cuidado para não deixar rasto - como pegadas, lixo ou vestígios de fogueiras.

Boyer considera que tecnologias como óculos de visão noturna, drones e sensores térmicos podem ajudar a determinar a localização de uma pessoa. No entanto, admite que se trata de uma tarefa complicada: "É realmente difícil encontrar pessoas, mesmo quando elas querem ser encontradas".

O que torna mais difícil encontrar Brian Laundrie, porém, é a distância que ele já terá percorrido, antes sequer de as autoridades terem começado a procurá-lo. "A área de busca aumenta a cada hora, esteja ele de carro ou a pé", disse Boyer. "É muito assustador, para ser honesto."

Laundrie não foi acusado e não é, até agora, suspeito de nenhum crime, disseram as autoridades. Mas ele terá sido a última pessoa a ver Gabrielle Petito viva e recusou-se a falar com a polícia, o que deixou as autoridades perplexas.

Gabby, atualmente com 22 anos, e Brian, de 23, eram namorados desde a escola secundária. Em julho do ano passado, ficaram noivos e ambos assinalaram o momento nas redes sociais. "O meu maior medo é que um dia eu acorde e tudo tenha sido um sonho, porque é assim que parece cada segundo desde o momento em que nos encontramos", escreveu Brian no Instagram. "Até que a morte nos separe ou até eu acordar, estou tão feliz por teres respondido sim, amo-te."

Em julho o casal partiu para uma viagem pelos Estados Unidos, documentando a "road trip" com fotos e videos publicados nas redes sociais. Pareciam estar ambos muitos felizes.

No entanto, a 12 de agosto, a polícia recebeu uma denúncia de violência doméstica. Uma testemunha viu Brian a esbofetear Gabby. Nas imagens captadas pela polícia, Gabrielle aparece a chorar, lamentando ter perdido o controlo e ter tentado magoar o namorado. Mas eles garantiram que estava tudo bem e que a discussão já tinha terminado.

Durante a viagem, a rapariga falava ao telefone com a mãe e, no dia 25 de agosto fez uma videochamada. Depois disso, só mandou mensagens escritas.

A 1 de setembro, Brian voltou a casa sem a namorada.

Preocupados, no dia 11, os pais de Gabrielle participaram o seu desaparecimento dando início às buscas policiais. Brian recusou-se a colaborar com as autoridades, contratou um advogado e desapareceu.

No domingo, foram encontrados restos mortais que, tudo indicam, pertencem à rapariga. Aguarda-se os resultados dos testes de ADN que irão confirmar a identidade da vítima e esta terça-feira realiza-se a autópsia que poderá revelar a causa da morte.m 

Maria João Caetano