Há carros blindados norte-americanos, vendidos aos Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita, que fazem parte do arsenal dos rebeldes da Al-Qaeda no Iémen. Uma investigação da CNN, exibida segunda-feira, mostra os carros na posse dos terroristas, bem como a revenda de armas produzidas nos EUA ao inimigo de longa data do país. 

A investigação garante que o arsenal de guerra foi vendido aos aliados dos EUA na Península Arábica e que estes as colocaram ao dispor dos grupos armados, entre os quais a Al-Qaeda, que lutam contra as forças governamentais do Iémen. Tanto a Arábia Saudita como os Emirados Árabes Unidos combatem estes rebeldes, em conjunto com os EUA, mas parece certo que forneceram armas ao inimigo. 

As armas foram ainda disponibilizadas a militares iranianos que "serão aproveitadas para evoluir tecnologicamente o arsenal do país", garante fonte próxima da investigação. O fornecimento do equipamento pela Arábia Saudita é uma quebra dos acordos assinados com o Departamento da Defesa. 

O escândalo está a tomar proporções pelo factos contribuíram para o financiamento da organização responsável pelos ataques mais mortíferos de sempre em solo norte-americano, o 11 de setembro. Em reação à reportagem o chefe do exército norte-americano no Médio Oriente garantiu que "mantém a confiança na Arábia Saudita", mas confirmou que "vão ser analisadas as acusações feitas pela CNN".

Os primeiros tiros da Guerra Civil do Iémen foram disparados em 2015, depois da "Primavera Árabe" eclodir em diversos países do norte de África. Em causa está a disputa do poder entre a comunidade Houthi e o  governo de Hadi. O autoproclamado Estado Islâmico e Al-Qaeda surgem no conflito "de forma independente" com o objetivo de controlar o país, contribuindo para uma guerra "entre três partes".

O país está neste momento dividido em três zonas de influência. Uma do governo de Hadi, o presidente do país no início da guerra, apoiada por EUA e Arábia Saudita, a do Conselho Político Supremo do Iémen, que luta contra o governo, apoiada pelo Irão e outra controlada pelo ISIS e Al-Qaeda que disputam o controlo da Península Arábica. 

O conflito provocou milhares de mortes, uma crise de refugiados e 20 milhões de pessoas com fome. A ONU já tentou mediar o conflito, mas ainda não obteve sucesso.