Michelle Obama diz que “nunca vai perdoar” Donald Trump pelos rumores que o atual presidente norte-americano ajudou a espalhar, questionando a veracidade do certificado de nascimento de Barack Obama. A revelação consta num livro de memórias da antiga primeira-dama dos Estados Unidos, que será publicado esta quinta-feira.

Os rumores sobre a nacionalidade de Obama surgiram em 2011, durante a campanha para as presidenciais que elegeram o candidato do Partido Democrata. As teorias da conspiração diziam que Obama não tinha nascido nos Estados Unidos, mas no Quénia, mesmo contra todas as evidências.

Trump foi uma das personalidades que questionou a origem do democrata.

E mesmo quando o certificado de nascimento de Obama foi divulgado, o magnata do imobiliário levantou suspeitas sobre a veracidade do documento.

Agora, no seu livro de memórias, intitulado “Becoming”, Michelle diz que nunca vai perdoar Trump por isto. No livro, que será publicado esta quinta-feira, e a que o Washington Post já teve acesso, Michelle afirma que a história ameaçou a segurança da sua família.

Toda a polémica foi descabida e cruel e, claro, tinha as ideias de preconceito e xenofobia subjacentes. Mas foi também perigoso, com a intenção deliberada de incitar maluquinhos. E se alguém com uma mente instável tivesse pegado numa arma e viajado até Washington? E se alguém tivesse ido procurar as nossas miúdas? Donald Trump, com as suas insinuações barulhentas e imprudentes, colocou em risco a segurança da minha família. E por isso, eu nunca o vou perdoar”, lê-se no livro.

A imprensa norte-americana considera que este é o ataque mais direto e pessoal feito por Michelle em relação ao atual líder norte-americano.

Mas há mais. A antiga primeira-dama lembra ainda como “o seu corpo ficou em fúria” depois de ver o polémico vídeo em que Trump fala de forma vulgar sobre a forma como costumava agarrar mulheres.

Era uma expressão de ódio que, geralmente, fica fora das companhias educadas, mas que ainda vive na medula da nossa sociedade supostamente esclarecida  - viva e aceite o suficiente para que alguém como Donald Trump se possa de dar ao luxo de a usar com arrogância”, escreveu ainda Michelle.

Neste livro, de 426 páginas, Michelle fala sobre os anos que passou na Casa Branca, mas também em temas tão pessoais quanto o seu romance com o marido, Barack, e as dificuldades pelas quais o casal passou para ter filhos. Michelle fala num aborto que sofreu e no processo de fertilização in vitro que ajudou o casal a ter as duas filhas.

E insiste que a política não é para ela, afastando as pretensões de quem a gostaria de ver como candidata democrata às presidenciais de 2020.