Um dos agentes da polícia envolvidos na morte de Breonna Taylor, a mulher negra que foi baleada fatalmente durante uma ação policial em março, em Louisville, no Kentucky, lançou uma campanha de angariação de fundos para se poder reformar.

Myles Cosgrove foi um dos três agentes de Louisville que invadiram a cada da profissional de saúde, de 26 anos, a 13 de março. Agora, a família do detective está a tentar, em seu nome, angariar fundos para que o polícia se possa reformar.

A campanha foi lançada no site GiveSendGo, descrito como uma “plataforma de angariação de fundos cristã”, “feita por cristãos e para cristãos”.

A reputação do Myles foi completamente destruída e o trauma psicológico é algo com que vai ter de lidar para o resto da vida”, lê-se na descrição da campanha.

O advogado de Cosgrave confirmou à CNN que a campanha foi lançada por familiares, mas recusou tecer mais comentários sobre o assunto.

Segundo os dados que constam na plataforma, já foram angariados mais de 18.000 dólares (mais de 15.000 euros), sendo que o objetivo da campanha é alcançar os 75.000 dólares (cerca de 64.000 euros).

No site GiveSendGo correm também campanhas de angariação de fundos para Kyle Rittenhouse, o jovem de 17 anos que matou a tiro duas pessoas durante protestos contra a violência policial em Kenosha, e para Rusten Sheskey, o agente da polícia que baleou Jacob Blake, em Kenosha.

Num comunicado divulgado depois de a campanha para Rittenhouse ter causado polémica, Heather Wilson, fundadora e porta-voz da plataforma, esclareceu que o site permite todas as iniciativas "mesmo que não concorde com elas", desde que os seus métodos de angariação de fundos sejam legais.

O caso da morte de Breonna Taylor gerou vários protestos nos Estados Unidos, na senda do movimento “Black Lives Matter” (Vidas Negras Importam).

Cosgrave foi um dos três polícias que entrou no apartamento de Taylor durante a madrugada, enquanto a jovem dormia com o namorado, Kenneth Walker. Os agentes tinham um mandado relacionado com uma investigação de tráfico de droga que envolvia Walker.

Perante a entrada dos polícias na residência, o namorado da jovem abriu fogo e os agentes dispararam de volta. As versões de Walker e dos agentes são diferentes: Walker alega que os polícias não se anunciaram e que, por isso, ele e a namorada pensavam que a casa estava a ser invadida por ladrões. Os polícias, por sua vez, afirmaram que se identificaram. Não há registo de imagens da ação policial.

Apenas um dos três polícias foi indiciado neste caso, mas não pela morte da jovem negra. O agente Brett Hankinson, que já se tinha demitido, foi indiciado por “ação perigosa”. Hankinson disparou a sua arma 10 vezes e algumas balas chegaram a perfurar as paredes do apartamento até ao outro apartamento adjacente, onde estavam um homem, uma grávida e uma criança.

Sofia Santana