Ao contrário do que foi inicialmente veiculado pela polícia norte-americana, os passageiros do comboio onde uma mulher foi violada, no passado dia 13, no estado de Filadélfia, nos Estados Unidos, não ficaram a olhar sem fazer nada perante a agressão. A informação, avançada nesta sexta-feira pelos procuradores encarregues do caso, desmente as declarações iniciais do superintendente da polícia que reagiu à ocorrência.

Existe a narrativa de que as pessoas se sentaram no comboio e assistiram ao acontecimento e gravaram vídeos para a sua própria gratificação. Isso simplesmente não é verdade. Não aconteceu”, afirmou o procurador distrital do condado de Delaware, Jack Stollsteimer, em conferência de imprensa.

O procurador justificou o desmentido com as imagens do vídeo de segurança gravado pela Autoridade de Transportes do Sudeste da Pensilvânia (SEPTA, na sigla original). No vídeo, afirma Stollsteimer, é possível ver “várias pessoas” a entrar e a sair do comboio, algumas das quais observam partes da violação, sem ser capazes de discernir com exatidão o que se estava a passar.

Durante o fim de semana, as autoridades anunciaram a detenção de Fiston Ngoy, de 35 anos, acusado de abusar sexualmente de uma passageira.

Todos nós já andámos neste comboio. Pessoas entram e saem em todas as paragens. Isso não significa que quando entram num comboio e veem duas pessoas a interagir, saibam imediatamente que uma violação está a acontecer”, acrescentou o procurador.

Durante a conferência de imprensa, as autoridades confirmaram ainda que duas pessoas poderão ter filmado a agressão com o telemóvel, uma das quais terá alertado as autoridades.

Stollteimer acrescentou também que a carruagem onde o crime aconteceu “não estava muito lotada”.

Inicialmente, o superintendente da polícia local, Timothy Bernhardt, descreveu o crime como “perturbador”, pelo facto de várias pessoas terem entrado em contacto com o ataque e não terem feito nada para o travar.

No encontro com os jornalistas, Bernhardt esteve ao lado de Stollsteimer e apontou o dedo à autoridade de transportes, que detinha as imagens dos acontecimentos, acusando-os de espalhar falsas informações.

Recorde-se que no seu testemunho inicial, Bernhardt afirmou que os passageiros do comboio “observavam e não faziam nada” quando, de acordo com as imagens de vigilância, o homem se sentou ao lado da vítima e “começou a rasgar-lhe a roupa e a violá-la”.

Havia muita gente, na minha opinião, que deveria ter intervindo; alguém deveria ter feito alguma coisa. Isto é um espelho da nossa sociedade. Quem permite que algo assim aconteça? É muito preocupante", tinha afirmado então.