A polémica em torno dos tweets racistas de Donald Trump subiu de tom esta terça-feira com um novo episódio, desta vez protagonizado pela conselheira da Casa Branca Kellyanne Conway. É que a assessora resolveu questionar um jornalista sobre a sua etnia quando defendia o presidente. A pergunta, que voltou a deixar a administração norte-americana debaixo de fogo, foi feita no mesmo dia em que a Câmara dos Representantes aprovou uma resolução que condena os comentários de Trump.

As palavras de Conway surgiram quando o repórter Andrew Feinberg, do site BeltwayBreakfast.com, pressionava a assessora sobre o ataque de Trump a quatro congressistas democratas. Feinberg perguntava a que territórios se referia o presidente quando disse às congressistas para voltarem para os seus países.

Mas ao invés de responder, Conway lançou-lhe uma pergunta: “Qual é a sua etnia?”.

O jornalista questionou a relevância da questão, mas a assessora insistiu: “Porque eu estou a fazer uma pergunta. Os meus antepassados são da Irlanda e de Itália”, acrescentou. 

Feinberg voltou a notar que a sua etnia não era relevante para a questão e fez mais uma pergunta: "Está a querer dizer que o presidente disse a uma norte-americana com origem palestiniana para regressar aos territórios ocupados?”, questionou, referindo-se à congressista Rashida Tlaib.

A conselheira da Casa Branca acabou então a defender Trump, afirmando que “há muita gente cansada que este país seja a última preocupação de pessoas que fizeram um juramento para um cargo”.

O episódio voltou a deixar a administração Trump debaixo de fogo e a assessora viu-se obrigada a tentar amenizar a situação. Através de uma mensagem no Twitter, disse que não quis “faltar ao respeito” de ninguém e vincou que tem “orgulho” na sua etnia e no seu “amor pelos Estados Unidos”.

Nós somos todos de algum lado originalmente. Eu fiz a pergunta para responder à questão e dizer a minha própria etnia: italiana e irlandesa. Como muitos. Tenho orgulho na minha etnia, no meu amor pelos Estados Unidos e estou grata a Deus por ser americana”, escreveu na plataforma.

 

Isto aconteceu no mesmo dia em que a Câmara dos Representantes aprovou uma resolução que condena os comentários de Trump sobre as quatro congressistas democratas. A iniciativa, apresentada pelo Partido Democrata, foi aprovada com 240 votos a favor e 187 contra e contou com a luz verde de quatro republicanos – Will Hurd, do Texas, Brian Fitzpatrick, da Pensilvânia, Fred Upton, do Michigan, e Susan Brooks, do Indiana.

As mensagens polémicas foram partilhadas por Trump no Twitter, no fim de semana. O presidente norte-americano disse para as congressistas democratas Alexandria Ocasio-Cortez, Ilhan Omar, Ayanna Pressley e Rashida Tlaib voltarem para os seus países, apesar de todas serem cidadãs dos Estados Unidos. De resto, apenas Ilhan Omar, da Somália, nasceu fora do território norte-americano.

Na segunda-feira, as democratas deram uma conferência de imprensa, na qual afirmaram que os comentários de Trump são apenas uma "manobra de distração" que pretende desviar atenções das suas políticas, pedindo aos norte-americanos para “não morderem o isco”.