Cachorros que foram vendidos em seis lojas de animais nos Estados Unidos da América provocaram infeções a 118 pessoas em 18 Estados do país. Um relatório publicado, na quinta-feira, pelo Centro de Controlo e Prevenção de Doenças dos EUA revela que as pessoas foram contaminadas por um microrganismo denominado campylobacter, uma bactéria que pode causar dores abdominais, febre, diarreia e, em alguns casos, vómitos.

O relatório, citado pela CNN, refere que os animais em causa foram vendidos nas lojas de janeiro de 2017 a fevereiro de 2018. Nenhuma das pessoas que esteve em contacto com os cachorros morreu, embora 26 tenham sido hospitalizadas. As amostras de bactérias recolhidas nos pacientes revelaram resistência a todos os antibióticos comumente usados para tratar infeções por campylobacter.

Um ano de investigação

De acordo com a CNN, a investigação ao surto começou em agosto de 2017, quando o Departamento de Saúde da Florida notificou o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças de seis infeções por campylobacter relacionadas com uma cadeia nacional de lojas de animais com sede no Ohio. A análise dos dados recolhidos conduziu as autoridades sanitárias até vários Estados do país para descobrir a origem do surto e evitar doenças adicionais.

O Centro de Controlo e Prevenção de Doenças identificou 118 pessoas, incluindo 29 funcionários de lojas, que adoeceram entre 5 de janeiro de 2016 e 4 de fevereiro de 2018. Os pacientes tinham idades entre menos de um ano a 85 anos e a maioria (63%) era do sexo feminino. Connecticut, Florida, Geórgia, Illinois, Kansas, Massachusetts, Maryland, Michigan, Missouri, Nova Hampshire, Nova Iorque, Ohio, Oklahoma, Pensilvânia, Tennessee, Utah, Wisconsin e Wyoming foram os Estados que reportaram a doença.

Dos pacientes entrevistados pelo Centro de Controlo e Prevenção de Doenças, a esmagadora maioria (99%) afirmou ter tido contacto direto com um cachorro e 95% disse que o animal em que que tocou era de uma loja.

A inspeção levada a cabo nas lojas de animais durante a investigação ao surto de infeções revelou que tinham sido administradas uma ou mais doses de antibióticos a 142 dos 149 cachorros observados, revelou ainda o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças.

Mike Bober, presidente e CEO do Pet Industry Joint Advisory Council (Conselho Consultivo Conjunto da Indústria de Animais de Estimação), que trabalha diretamente com o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças para desenvolver programas educacionais para donos de animais, bem como para organizações industriais e governamentais, explicou à CNN que, quando se está em contacto com animais, há cuidados a ter que devem ser do senso comum.

Surtos deste tipo certamente apontam para a necessidade de nos certificarmos que todos os que lidam com animais estão bem informados e adotam práticas importantes de higiene e manuseio que realçam a importância da prevenção e da adoção de medidas que evitem a transmissão de doenças”, afirmou.

“Porque os animais são seres vivos, a doença surgirá de vez em quando”, realçou. "Não é algo que possamos simplesmente erradicar."

Achamos que é o comportamento responsável e de senso comum que é a melhor abordagem aqui. Lave bem as mãos e tenha cuidado ao limpar os animais, pois a doença pode ser transmitida através da matéria fecal”, recomendou.

 

Ter um animal de estimação é algo tremendamente positivo na vida das pessoas", disse ainda Mike Bober. "Mais de dois terços dos norte-americanos têm animais de estimação e os benefícios para a saúde da relação entre o animal e o ser humano superam em muito os riscos de contaminação que ocorrem naturalmente", defendeu.

O Centro de Controlo e Prevenção de Doenças também aconselhou as pessoas a levarem os animais de estimação ao veterinário se virem sinais de doença.

Principais fatores de contaminação

A campylobacter é uma bactéria encontrada no tracto intestinal de vários animais, que lhes provoca doenças que podem ser transmitidas aos seres humanos. As aves são referidas de forma particular como reservatório do organismo, pelo que são consideradas uma das principais causas de campilobacteriose quer pelo seu consumo (mal cozinhadas) ou como fonte de contaminação cruzada de outros alimentos prontos a consumir como, por exemplo, as saladas.

O Centro de Controlo e Prevenção de Doenças dos EUA sublinha que a maioria das infeções por campilobacteriose é causada pela ingestão de carne de aves cruas ou mal cozidas, produtos lácteos não pasteurizados, água e produtos contaminados. E embora a infeção geralmente não se espalhe de pessoa para pessoa, fazer sexo com uma pessoa infetada ou mudar as fraldas a uma pessoa infetada pode aumentar o risco.

A maioria dos pacientes recuperar-se-á de uma infeção por campylobacter no espaço de cinco dias sem tratamento, embora seja recomendável que se bebam líquidos extras. Em casos raros, uma infeção pode levar a complicações, incluindo paralisia e até a morte. Pessoas com sistema imunológico enfraquecido, como bebés, idosos e que sofram de cancro ou outras doenças graves, correm maior risco de infeção grave.