Daqui a 14 dias, quando a demissão do atual governador de Nova Iorque, Andrew Cuomo, se tornar efetiva, Kathy Hochul assumirá o seu lugar. A atual vice-governadora, uma democrata de 62 anos e ex-membro do Congresso, vai ser a 57ª governadora do estado e a primeira mulher a ocupar o cargo.

“Kathy Hochul, minha vice-governadora, é inteligente e competente”, disse Cuomo na conferência de imprensa, após anunuciar a demissão. “A transição deve ser perfeita. Temos muita coisa a acontecer. Estou muito preocupado com a variante Delta, e vocês também deveriam estar, mas ela vai entrar e rapidamente vai ficar a par de tudo.”

Logo a seguir, chegava uma declaração de Kathy Hochul, na qual apoiava a demissão de Cuomo: “É a decisão mais acertada e no melhor interesse dos nova-iorquinos”, disse. “Tendo servido em todos os níveis de governo e sendo a próxima na linha de sucessão, estou preparada para liderar como o 57º governador do Estado de Nova Iorque."

Apesar de, até aqui, se ter mantido um pouco afastada da ribalta, Kathy Hochul tem muita experiência e um conhecimento profundo do estado de Nova Iorque. Faz questão de, todos os anos, visitar os 62 condados que o compõem e orgulha-se de ter amigos em todos eles. Segundo o "The New York Times", nos vários gabinetes onde já trabalhou, Hochul consegue a proeza de ser "determinada" e de conseguir implementar as reformas que idealiza e, ao mesmo tempo, ser popular entre os seus colaboradores. O jornal revela que a vice-governadora já está a preparar esta transição há algumas semanas: está a estudar os dossiers mais importantes e tem se reunido com alguns conselheiros.

Oriunda de Buffalo, Nova Iorque, Hochul cresceu numa família católica e com poucas possibilidades económicas. Estudou Direito na Universidade de Siracusa e depois em Washington. Antes de se dedicar a tempo inteiro à política, trabalhou no M&T Bank, foi advogada num escritório em Washington e foi assessora jurídica de dois ex-políticos democratas de Nova Iorque, o senador Daniel Patrick Moynihan e o deputado federal John Joseph LaFalce. 

Depois, e durante 18 anos, dedicou-se à política local, já em Nova Iorque, incluindo 14 anos como vereadora de Hamburg Town e depois quase quatro anos no condado de Eric.

Definindo-se como uma "democrata independente" e claramente com uma tendência mais conservadora, Hochul passou gradualmente a apoiar posições cada vez mais progressistas.

Em 2006, fundou, juntamente com a sua mãe e a sua tia, uma casa-abrigo, em Buffalo, para vítimas de violência doméstica chamada Kathleen Mary House. A avó de Kathy Hochul foi  vítima de violência doméstica e isso levou ao ativismo da família sobre este problema.

Em 2011 chegou ao Congresso norte-americano através de uma eleição especial como primeira representante democrática do distrito de Nova Iorque. Aí, apresentou uma proposta de lei que obrigava a que as roupas esquecidas nos aeroportos e nunca reclamadas fossem entregues a organizações de veteranos e sem-abrigo. Mas acabou por não ser reeleita em 2012. 

Kathy Hochul foi eleita como vice-governadora de Nova Iorque, ao lado de Cuomo, em 2014, e foi reeleita em 2018.

Foi ela, por exemplo, que liderou a iniciativa "Enough is Enough" para combater a agressão sexual nos campus universitários. Entre as suas batalhas políticas encontram-se o aumento do salário mínimo no estado de Nova Iorque e a pressão para que a lei estadual preveja a licença paga para apoio à família, a defesa dos direitos dos imigrantes ilegais e o combate contra a toxicodependência.

No entanto, Hochul manteve-se sempre na sombra e raramente aparecia em eventos públicos ao lado de Andrew Cuomo, o que, neste momento, é claramente uma vantagem. Desde que surgiram as primeiras acusações de assédio sexual contra o governador, Kathy Hochul nunca tentou defender Cuomo e sempre se manifestou publicamente a favor da descoberta da verdade.

Maria João Caetano