O Presidente norte-americano defendeu, na segunda-feira à noite, a inocência do novo juiz do Supremo Tribunal, Brett Kavanaugh, a quem pediu desculpas em nome da nação por uma "campanha de destruição pessoal".

Donald Trump falava na Casa Branca, durante a cerimónia de investidura de Kavanaugh, confirmada no sábado pelo Senado após uma longa batalha política, que reconheceu ter arrancado de "forma diferente de qualquer outro evento de tamanha magnitude".

"Em nome de nossa nação, quero pedir desculpas a Brett e toda a família Kavanaugh pela terrível dor e sofrimento que foram forçados a suportar", declarou Trump, numa referência às acusações de abuso sexual que marcaram a nomeação do juiz.

Kavanaugh foi acusado por várias mulheres de agressão sexual, incluindo uma professora universitária californiana, que sob juramento testemunhou que ele a tentou atacar durante uma festa de liceu há décadas. O juiz negou todas as acusações.

Com todos os juízes presentes, o Presidente norte-americano declarou que Kavanaugh foi vítima de uma "campanha de destruição política e pessoal baseada em mentiras".

"Sob escrutínio histórico, [Kavanaugh] foi provado inocente", declarou Trump, que tinha chegado a considerar credível o testemunho da professora.

Na sua intervenção, durante uma cerimónia de posse repetida para as câmaras, Kavanaugh assegurou ao público norte-americano que vai ser "justo e imparcial", afirmando que o Supremo Tribunal “não é uma instituição política ou partidária”.

"O Supremo Tribunal é uma equipa de nove pessoas. E eu sempre serei um membro da equipa, desta equipa de nove (...) O processo de confirmação no Senado foi controverso e desgastante. Esse processo acabou", declarou.

O Senado norte-americano ratificou no sábado a nomeação de Kavanaugh, numa votação cerrada (50-48).

Foi, assim, o fim de um processo de nomeação que desencadeou protestos em massa, uma investigação do FBI e uma avaliação nacional sobre poder, género e agressão sexual. Ocorre também a menos de um mês de eleições, a meio de mandato, que vão determinar que partido vai controlar o Congresso.

Os democratas da Casa dos Representantes prometeram aprofundar as investigações sobre as denúncias de várias mulheres contra Kavanaugh se ganharem a maioria nas eleições intercalares de novembro.

No Senado, os republicanos detêm uma maioria de 51 para 49, com vários assentos em disputa no escrutínio do próximo mês. À exceção do senador da Virgínia Ocidental Joe Manchin, todos os democratas votaram contra a nomeação do novo juiz para o Supremo Tribunal dos Estados Unidos.

Ao deixar a Casa Branca ao início do dia para uma viagem à Flórida, Trump lembrou que Kavanaugh foi "apanhado numa fraude fabricada pelos democratas".