A polícia da cidade norte-americana de Chicago tornou públicas as imagens da câmara corporal utilizada pelo polícia que abateu mortalmente um rapaz de 13 anos, no dia 29 de março, depois de o caso ter gerado uma onda de indignação e protestos.

No vídeo de nove minutos, é possível ver o agente Eric Stillman, de 34 anos, a correr atrás de Adam Toledo, num beco, numa área residencial da zona oeste da cidade de Chicago, conhecida como Little Village, onde habita a comunidade mexicana.

Eric Stillman é visto a aproximar-se do jovem e a gritar para que este pare. No momento em que o agente se aproxima do rapaz, Stillman ordena-o para que levante as mãos e, em menos de um segundo, dispara contra o peito do rapaz, que caiu inanimado no chão.

O polícia aproximou-se imediatamente do jovem para tentar perceber em que estado se encontrava e onde tinha sido baleado. “Tiros disparados”, alertou pelo intercomunicador.

Tragam uma ambulância para aqui, agora!”, gritou o polícia, num tom cada vez mais perturbado.

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“Fica comigo, fica comigo”, disse o agente enquanto tentava reanimar o jovem até à chegada de uma ambulância.

No vídeo é possível ver uma arma de fogo no chão, perto do corpo do jovem. A polícia tinha sido chamada ao local devido a relatos de disparos, por volta das 02:30 da manhã.

A mayor da cidade, Lori Lightfoot, pediu à população que mantenha a paz, numa altura em que dezenas de pequenos empresários tapam as janelas e as portas das suas lojas com placas de madeira para evitar a destruição que se tem feito sentir na sequência dos protestos contra o uso excessivo da força por parte da polícia.

Pequenos grupos de manifestantes juntaram-se junto à principal esquadra da polícia da cidade e marcharam até à baixa da cidade, esta quinta-feira.

Vivemos numa cidade que é traumatizada por uma longa história de violência policia e má conduta”, afirmou Lightfoot. No entanto, a autarca apelou para que as pessoas não sejam “juízes e júris” nesta situação, uma vez que não existe “informação suficiente” sobre o caso. Ainda assim, Lightfoot diz compreender o sentimento de dor e de ultraje sentido por muitos dos residentes de Chicago.

Este caso acontece dias depois do início do julgamento de Derek Chauvin, o polícia acusado de matar George Floyd, após permanecer ajoelhado sobre o pescoço do homem por quase nove minutos. Chauvin está atualmente acusado de homicídio de segundo grau, que exclui premeditação, mas envolve intenção de matar, e homicídio culposo.

O vídeo da morte de Floyd, que se tornou viral, provocou uma onda de manifestações em todo o mundo contra o racismo e a violência policial.