Os eurodeputados do PS Isabel Santos e Carlos Zorrinho enviaram esta quinta-feira uma carta ao secretário-geral das Nações Unidas, pedindo um envolvimento “mais profundo e ativo” da União Europeia (UE) e da ONU na resposta aos ataques em Moçambique.

Apelamos a um envolvimento mais profundo e ativo da comunidade internacional no terreno, com os esforços interligados da UE e das Nações Unidas, envolvendo todas as organizações regionais, condição que julgamos imprescindível para a resolução deste problema humanitário e de segurança”, referem os dois eurodeputados na missiva.

Frisando que estão a trabalhar para que a “UE seja mais ativa” e que pedem “uma intervenção mais concreta, quer das instâncias comunitárias, quer das autoridades moçambicanas”, Isabel Santos e Carlos Zorrinho referem que “os apelos das várias personalidades não têm tido eco no terreno”.

Estamos conscientes dos vários constrangimentos, mas importa reforçar a estratégia de diálogo e cooperação entre as várias organizações com vista a medidas concretas no terreno para ultrapassar as dificuldades existentes”, dizem na missiva enviada a António Guterres.

Os eurodeputados insistem assim que “todos os esforços devem ser convocados para garantir a estabilidade do país e impedir o alastrar dos problemas a toda a região”.

Isabel Santos e Carlos Zorrinho já tinham pedido, na passada segunda-feira, o agendamento de um debate na próxima sessão plenária do Parlamento Europeu (PE) sobre a situação no norte de Moçambique, que acabou por não acontecer.

Por estarmos atentos ao evoluir da situação, preocupados com a escalada dos acontecimentos e dando eco aos apelos da sociedade civil moçambicana, pedimos o agendamento de um debate de urgência para a sessão plenária que terá lugar na próxima semana", tinha declarado Isabel Santos na altura.

Também o Partido Popular Europeu (PPE) - por iniciativa do eurodeputado do CDS, Nuno Melo - tinha feito o mesmo pedido.

Paulo Rangel, em entrevista à Lusa, na terça-feira, tinha referido que, caso o debate no plenário não fosse agendado, o PPE propunha a organização de uma sessão de audições na Comissão de Assuntos Externos do PE, que, nas palavras do chefe de delegação do PSD no PE, seria “muito vantajosa”.

A Comissão dos Assuntos Externos deveria fazer um debate com uma audição a pessoas que estão no terreno. Em primeiro lugar, ao bispo de Pemba; eventualmente a alguma ajuda humanitária (…), ouvir três ou quatro especialistas. Tenho falado com esta gente várias vezes e os relatos feitos por eles são lancinantes (…) e, portanto, nós achamos [que seria bom] para criar esta consciência europeia da urgência de uma intervenção humanitária”, referiu Rangel à Lusa.

A província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, é há três anos alvo de ataques por grupos armados, alguns reivindicados pelo grupo 'jihadista' Estado Islâmico, mas cuja origem permanece em debate, provocando uma crise humana com cerca de duas mil mortes e 435 mil deslocados internos.

Veja também: 

GOVERNO DE MOÇAMBIQUE EMPENHADO EM “ANIQUILAR CABECILHAS” DOS GRUPOS ARMADOS

MAIS DE 33.000 ABANDONARAM NORTE DE MOÇAMBIQUE APÓS ATAQUES

/ DA