O presidente do Parlamento Europeu, David Sassoli, disse esta quarta-feira que a instituição “não será intimidada” pelas sanções chinesas contra cinco eurodeputados e uma submissão, assegurando que continuará a defender os direitos humanos dos uigures.

Na segunda-feira, a China anunciou sanções contra 10 europeus, incluindo cinco membros do Parlamento Europeu, em represália às sanções impostas pela União Europeia (UE) a Pequim por supostas violações dos direitos humanos dos uigures na região autónoma de Xinjian.

Falando sobre tais sanções hoje no arranque da minissessão plenária do Parlamento Europeu, que decorre até quinta-feira a partir de Bruxelas, David Sassoli vincou: “Gostaria de prestar o nosso apoio aos cinco colegas e os organismos da UE injustamente visados e garantir aos nossos cidadãos que o Parlamento não será intimidado e continuará a defender os direitos humanos e o Estado de direito”.

Nunca nos iremos calar por causa daqueles que tentam ameaçar a nossa instituição e que tentam punir os deputados democraticamente eleitos”, salientou o responsável.

Para David Sassoli, “estas sanções por parte das autoridades chinesas são uma resposta inaceitável às preocupações legítimas” da assembleia europeia.

O Parlamento é e continuará a ser um defensor convicto dos direitos humanos na UE e no mundo. Os direitos humanos são alienáveis e estão no centro dos valores europeus”, concluiu.

Em comunicado divulgado na segunda-feira, o Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, anunciou que “a China opõe-se e condena firmemente as sanções da UE”, acusando ainda o bloco europeu de "espalhar mentiras" e "prejudicar gravemente" a sua soberania.

A nota refere ainda que "se a UE não corrigir o seu erro, haverá mais medidas".

Entre os sancionados pelas autoridades chinesas, que não poderão entrar no país asiático, estão os eurodeputados alemães Reinhard Bütikofer (presidente da delegação do Parlamento Europeu para as relações com a China) e Michael Gahler, o francês Raphaël Glucksmann, o búlgaro Ilhan Kyuchuk e a eslovaca Miriam Lexmann, além de outros políticos, investigadores e quatro instituições.

O investigador alemão Adrian Zenz, cujos relatórios sobre o destino dos uigures na província de Xinjiang provocou fortes protestos de Pequim, também foi sancionado.

O Comité Político e de Segurança do Conselho da UE e a Subcomissão dos Direitos do Homem do Parlamento Europeu estão entre os quatro organismos visados pelas sanções chinesas.

Ativistas de direitos humanos estimam que mais de um milhão de uigures e outras minorias predominantemente muçulmanas estão ou foram mantidos em campos nesta região noroeste, onde a China também é acusada de esterilizar mulheres à força e impor trabalho forçado.

Também na segunda-feira, a UE aprovou sanções contra quatro líderes na região chinesa de Xinjiang por violações dos direitos dos uigures.

/ JGR