Mais de um milhão de europeus já assinaram uma petição a pedir legislação contra a desflorestação, no âmbito de uma consulta pública que termina em 10 de dezembro.

O balanço da campanha '#Together4Forests’ (#JuntosPelasFlorestas) foi feito hoje, em comunicado, pela Associação Natureza Portugal (ANP), parceira em Portugal da organização internacional World Wide Fund For Nature (WWF) e que coordena no país a campanha, a par com outras organizações ambientalistas, como a Quercus, Zero, SPEA ou SOS Animal.

A campanha foi lançada em setembro e junta mais de uma centena e meia de organizações não-governamentais europeias, que pedem à União Europeia a criação de uma lei que regule a entrada nos mercados europeus de produtos que resultem da desflorestação e conversão de terras.

Agora os cidadãos estão a pedir uma lei que trave essa desflorestação, “naquela que é a mais bem-sucedida consulta pública sobre questões ambientais na história da União Europeia”, diz a ANP/WWF, acrescentando que esta é também a segunda consulta pública mais participada de sempre na União Europeia.

Mais de 10 mil portugueses já assinaram o apelo para que os legisladores criem uma lei que impeça os produtos ligados à desflorestação e à conversão de ecossistemas de chegarem ao mercado europeu.

Todas estas pessoas querem ter a certeza de que o que compram não contribui para a destruição de florestas e de outros ecossistemas. Este é um sinal claro que os cidadãos estão a dar aos decisores políticos para que atuem e promovam sistemas alimentares que protejam a natureza”, afirma Catarina Grilo, diretora de conservação e políticas da ANP|WWF, citada no comunicado.

A responsável alerta que desde 2015, em cada ano, são destruídos 10 milhões de hectares de florestas (mais do que a área total de Portugal), e diz que os europeus são responsáveis por mais de 10% dessa destruição, pelo consumo de produtos como carne, laticínios, soja para alimentação animal, óleo de palma, borracha, café e cacau.

A ANP/WWF apela a que mais portugueses participem na angariação de assinaturas. “Só assim se conseguirá garantir que o que consumimos não destrói irremediavelmente alguns dos ecossistemas mais importantes do nosso planeta”, justifica a associação no comunicado.

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