A presidente designada da Comissão Europeia revelou, esta quarta-feira, que, caso seja eleita, tenciona pedir a cada Estado-membro que indique um homem e uma mulher como candidatos a comissários, para poder formar um colégio totalmente paritário em termos de género.

Quero uma Comissão com metade de comissários homens e metade mulheres”, disse Ursula von der Leyen durante uma reunião, em Bruxelas, com o grupo parlamentar liberal do Renovar Europa (ex-ALDE), o terceiro maior da assembleia.

A atual Comissão Europeia liderada por Jean-Claude Juncker tem 19 comissários contra apenas nove comissárias, e, em 2014, por ocasião da formação do seu colégio, o presidente do executivo comunitário, que já na altura também pretendia ter 14 comissárias, teve mesmo de interceder junto das capitais para apresentarem candidatas do sexo feminino.

A outra ideia firme que Von der Leyen já tem para a sua equipa, adiantou, é reconduzir o socialista holandês Frans Timmermans como primeiro vice-presidente – cargo que ocupa na atual ‘Comissão Juncker’ – e dar “um cargo de relevo” à atual comissária da Concorrência, a liberal dinamarquesa Margrethe Vestager.

Timmermans e Vestager foram os “candidatos principais”, ou ‘sitzenkandidaten’, dos Socialistas Europeus e dos Liberais à presidência da Comissão Europeia, tendo o Conselho Europeu acabado por deixar ‘cair’ estes nomes e designado a atual ministra da Defesa alemã, o que a próprio Ursula von der Leyen admitiu esta quarta-feira ter sido “um início acidentado”.

Em resposta, o líder parlamentar do Renovar a Europa, Dacian Ciolos, fez saber à presidente indigitada da Comissão que uma das condições que os liberais colocam para votar favoravelmente a sua nomeação, na próxima semana, em Estrasburgo, é que “haja dois primeiros vice-presidentes, em igualdade de circunstâncias, Frans Timmermans e Margrethe Vestager”.

No final do encontro, em conferência de imprensa, Ciolos garantiu que, ao contrário do que muitos podem supor, “não é garantido” que o seu grupo vote favoravelmente a eleição de Ursula von der Leyen na próxima semana, em Estrasburgo, afirmando que a reunião de hoje deixou “muito boas indicações”, mas que têm de ser transformadas em “compromissos firmes” quando a presidente designada se dirigir à assembleia, antes da votação da próxima terça-feira.

Já esta quarta-feira, também o grupo dos Socialistas e Democratas (S&D) condicionara a aprovação da candidata proposta para a presidência da Comissão Europeia à resposta que a alemã Ursula von der Leyen der aos pedidos daquele grupo, revelou a líder da bancada socialista.

Há vários dias em Bruxelas para contactos com os diferentes grupos políticos, a ainda ministra da Defesa alemã, que necessita de obter uma maioria absoluta na votação agendada para a próxima terça-feira no hemiciclo de Estrasburgo - metade dos eurodeputados mais um (376) -, terá hoje à tarde (15:00 de Bruxelas, menos uma em Lisboa) uma reunião conjunta com os líderes da assembleia.

Na conferência de presidentes do Parlamento Europeu, Von de Leyen reunir-se-á pela primeira vez, em conjunto, com o novo presidente da assembleia, o italiano David Sassoli (socialista), e com os líderes das diferentes bancadas, incluindo as quatro maiores, junto das quais está a buscar apoios para a sua eleição: Partido Popular Europeu (PPE, conservadores, que conta com PSD e CDS), S&D (que inclui PS), Renovar a Europa (ex-ALDE, liberais) e os Verdes (onde está incluído o PAN).

O nome de Ursula von der Leyen foi o ‘eleito’ pelo Conselho Europeu há uma semana, depois de uma longa maratona negocial.

O processo foi duramente criticado por todas as famílias políticas no debate com o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, realizado em 04 de julho, sobretudo por os Estados-membros terem deixado cair o modelo dos “candidatos principais”, ou ‘Spitzenkandidat’, que fora introduzido em 2014 e que o Parlamento queria que continuasse a servir para a eleição do presidente da Comissão.

À candidata alemã basta o apoio das três maiores famílias políticas, as que estão representadas no Conselho Europeu e que acordaram o ‘pacote’ de nomeações para os cargos institucionais de topo da UE para os próximos cinco anos, mas Ursula von der Leyen enfrenta a ameaça de ‘dissidências’ de voto dentro destes grupos, incluindo o seu, o PPE, precisamente pela forma como o Conselho negociou as nomeações, 'à porta fechada'.