O tráfego marítimo no Canal do Suez irá ser reaberto esta terça-feira de manhã, após o navio Ever Given, que estava encalhado, ter sido finalmente libertado.

A autoridade do canal adiantou, esta segunda-feira, em conferência de imprensa, que a luz verde para a navegação nos dois sentidos do canal será dada a partir das 08:00 locais, menos uma hora em Portugal continental.

Aquando da reabertura está prevista a passagem de 113 navios, indicou o presidente da autoridade do canal, Osama Rabie, que previu, ainda, que a situação normalize dentro de três dias e meio.

Neste momento, mais de 400 navios cargueiros aguardam o desbloqueio da rota comercial marítima.

A interrupção, que dura desde a última terça-feira, colocou mais pressão na indústria de transporte marítimo de contentores que já se encontrava em plena capacidade, ameaçando mais atrasos para as empresas europeias que dependem de um fluxo constante de importações asiáticas, e para os consumidores que já se habituaram a realizar compras online rápidas durante a pandemia.

 

 

Dentro dos cargueiros estão armazenados diversos artigos de consumo, mas também petróleo e gado. Uma estimativa da Associated Press coloca as perdas geradas pela interrupção nos 7,6 mil milhões de euros por dia.

Depois de o presidente da Autoridade do Canal do Suez ter proclamado o recomeço do tráfego de navegação no canal, a entidade sublinha agora que vai conseguir acelerar o processo de movimento das embarcações. “Não vamos desperdiçar um segundo”, disse, desde logo, Osama Rabie a uma emissora nacional egípcia.

Algumas empresas decidiram alterar as rotas dos seus navios, que navegaram pela rota do Cabo da Boa Esperança, um desvio que acrescenta duas semanas de viagem e custos adicionais no combustível.

Cerca de 15% do tráfego marítimo mundial transita pelo Canal de Suez, que é uma das mais importantes fontes de receitas para o Egipto. 

Reagindo à notícia, o presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sissi, afirmou que a “crise acabou” e que o tráfego marítimo iria recomeçar em breve.

O bloqueio da rota provocou ainda uma queda acentuada dos preços do crude, com o barril de Brent a baixar 1 dólar, para 63,67 dólares.