O escândalo continua. Depois de ter negado ter participado nos alegados crimes sexuais que envolvem o multimilionário Jeffrey Epstein, o príncipe André vê o seu nome a voltar a ser ligado ao caso depois de uma troca de emails entre um agente literário e o escritor Evgeny Morozov ter vindo a público.

De acordo com os emails divulgados por Evgeny Morozov na revista New Republic, o agente John Brockman recorda uma visita feita à casa de Epstein em Manhattan num email que pode ter sido enviado por engano para o autor.

"A última vez que visitei a sua casa (a maior casa em Nova Iorque), encontrei-o em fato de treino e um britânico de fato com suspensórios, a receberem massagens nos pés de duas jovens russas muito bem vestidas. Depois de reclamar um pouco sobre segurança cibernética, o britânico, chamado Andy, falou sobre as autoridades suecas e as acusações contra Julian Assange", escreveu Brockman no email datado de 12 de setembro de 2013.

O agente literário escreveu ainda que durante a conversar o príncipe se queixou do seu perfil público e que foi aí que percebeu quem era o "Andy".

"Nessa altura, percebi que no recipiente das massagens dos pés da Irina estava Sua Alteza Real, o príncipe André, o duque de York. Uns dias depois, a capa do NYPost tinha uma foto de Jeffrey e Andrew a caminhar no Central Park com a manchete "O príncipe e o pervertido". (Foi o fim do papel de Andrew como embaixador do comércio do Reino Unido)", conclui Brockman.

A troca de email aconteceu três anos depois do encontro entre o duque de York e Jeffrey Epstein em Nova Iorque. No dia a seguir a esse encontro no Central Park, a 10 de dezembro de 2010, o príncipe André foi fotografado dentro da casa de Epstein em Manhattan, a dizer adeus a uma mulher que a imprensa identifica como Katherine Keating, filha do antigo primeiro-ministro australiano Paul Keating.

multimilionário Jeffrey Epstein, que foi encontrado morto na sua cela do Metropolitan Correctional Center, em Manhattan, no início do mês.

Epstein, de 66 anos, já tinha sido acusado há cerca de uma década de ter levado para a sua mansão em Palm Beach, na Florida, cerca de três dezenas de menores para exploração sexual, bem como para as casas que tem em Nova Iorque, Novo México e numa ilha privada do Caribe. Os delitos foram cometidos entre 2002 e 2005. Foi Alex Acosta, que é o atual responsável pelo Emprego na administração de Donald Trump, quem supervisionou o acordo com Epstein em nome do Departamento da Justiça norte-americano, por ser procurador: em troca de uma admissão de culpa, o multimilionário cumpriu 13 meses de prisão e aceitou ficar inscrito no registo de crimes sexuais. 

O multimilionário, que era conhecido pela relação que tinha com o antigo presidente democrata Bill Clinton - que por várias vezes colocou à disposição do amigo o seu avião privado - era também próximo de Donald Trump quando este era empresário e antes de assumir a presidência dos EUA.