Murtaja Qureiris tinha 13 anos quando foi detido: estava com a família caminho do Bahrain. Foi preso pelos guardas fronteiriços e, na altura, considerado o mais jovem prisioneiro político da Arábia Saudita.

Hoje, tem 18 anos e continua detido. Segundo a CNN, passou mais de um ano do período de detenção em cela de isolamento e enfrenta a pena capital. É acusado de semear a sedição e vai ser julgado agora, num tribunal para crimes de terrorismo. Está acusado de ter acompanhado o irmão, Ali Qureris, numa mota até a uma esquadra da polícia onde Ali  atirou cocktails Molotov, de ter disparado contra forças de segurança,  de violência e de marchar no funeral do irmão, em 2011. Mas sabe a CNN que as primeiras provas contra Murtaja começaram a ser reunidas com as imagens de uma manifestação onde o agora adolescente gritou por "mais direitos para as pessoas". Tinha então 10 anos.

Murtaja negou todas as acusações e diz que a confissão em que se baseia a acusação lhe foi arrancada sob ameaça. Ainda que não esteja acusado de tirar a vida a ninguém, a acusação pede para Murtaja a pena de morte na sua forma mais violenta, que pode implicar que seja crucificado ou que o seu corpo seja desmembrado após a execução. Outro dos irmãos de Murtaja também foi preso, o pai foi igualmente detido no ano passado.

Em 2016, a CNN revela que o grupo da ONU que analisa detenções arbitrárias terá identificado o caso de Murtaja e que os peritos acreditam que o menor tinha sido torturado, as confissões forçadas e a detenção arbitrária, e que teria sido detido por participar em "demonstrações pacíficas pedindo justiça".