O sistema prisional norte-americano executou na quinta-feira o primeiro homem negro desde que foram retomadas as execuções a nível federal, por ordem da administração do atual Presidente, Donald Trump.

O homem foi condenado pelo homicídio de um casal religioso do Iowa quando estava de visita ao Texas, em 1999, quando o condenado tinha 19 anos.

Christopher Vialva, agora com 40 anos, foi declarado morto depois de receber uma injeção letal numa prisão federal em Terre Haute, cidade no estado do Indiana.

A execução acontece num momento em que os EUA estão a braços com uma forte contestação social, com grandes manifestações nas ruas em vários pontos do país, contra violência racial, abusos da polícia e tratamento discriminatório no sistema judicial.

Vialva estava condenado por ter disparado fatalmente contra Todd e Stacie Bagley, tendo depois queimado o casal na bagageira do carro das vítimas. A advogada de Vialva, Susan Otto, disse que a cor de pele do seu cliente influenciou a decisão de o enviar para o corredor da morte.

Vialva foi a sétima execução federal desde julho e a segunda esta semana. Cinco das seis primeiras execuções foram de condenados caucasianos, algo que os críticos dizem ter sido premeditado para evitar contestação e tumultos. O sexto foi nativo americano, um índio Navajo.

As autoridades federais executaram apenas três prisioneiros nos 56 anos anteriores. As execuções foram retomadas este ano depois de quase 20 anos de pausa. Os opositores da pena de morte acusam Donald Trump de retomar a prática para ajudar a posicioná-lo como o candidato da lei e ordem.

Otto disse que foi um júri composto por um afro-americano e 11 caucasianos que recomendou a pena de morte como sentença, em 2000, depois de os procuradores avançarem que Vialva liderava um fação negra de um gangue em Killeen, Texas, e que tinha cometido o crime para elevar o seu estatuto dentro do grupo, uma alegação que a advogada disse ser falsa e que serviu apenas para alimentar estereótipos.

Questões relacionadas com preconceito racial no sistema criminal e judicial têm estado no centro do debate nos EUA e da violência nas ruas nos últimos meses, na sequência da morte de George Floyd, um afro-americano, quando se encontrava sob custódia policial, tendo morrido pela pressão exercida pelo joelho do polícia no seu pescoço, sufocando-o.

Um relatório conhecido este mês, da autoria da organização sem fins lucrativos Death Penalty Information Center, revelou que os negros continuam a ser a maioria dos presos no corredor da morte e que negros que matem brancos estão mais sujeitos à pena de morte do que os brancos que matam negros.

Dos 56 reclusos atualmente no corredor da morte, revelou a organização, 26 (quase 50%) são negros; 22 (quase 40%) são caucasianos; 12% são latinos. Há ainda um asiático. Os negros representam apenas 13% da população prisional a nível federal.

Otto disse que os advogados de defesa de Vialva no julgamento e fase inicial de recurso não levantaram questões relativamente à composição do júri, nem sequer em relação à caracterização feita do condenado como líder negro de um gangue, o que impediu que os advogados que se seguiram conseguissem objetar a sentença com base em preconceito racial.

/ CE