O Exército norte-americano começou a aceitar recrutas assumidamente gays, depois de uma juíza californiana ter ordenado na semana passada que o exército pare de incentivar a política do «Don't Ask, Don't Tell» (Não Perguntes, não digas), que impedia a participação de soldados declaradamente homossexuais no Exército norte-americano.

No entanto, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos diz que os novos recrutas são avisados que a revogação da lei pode ser anulada. Isto, porque o Pentágono está a tentar a reintrodução da antiga política do «Don't Ask, Don't Tell», avança a BBC.

«Se eles admitirem que são gays e se querem alistar, nós vamos proceder ao seu alistamento, mas avisamo-los que a situação jurídica pode mudar», afirmou Douglas Smith, porta-voz do Comando de Recrutamento do Exército dos EUA em Fort Knox, Kentucky.

Os democratas no Senado dos EUA tinham tentado derrubar o «Don't Ask, Don't Tell», em Setembro, mas não conseguiram reunir os votos necessários.

O próprio presidente Barack Obama prometeu acabar com essa política, mas a maioria dos conselheiros concordam que o presidente não pode acabar com a proibição de gays assumidos no Exército sem acção do Congresso ou jurídica.

Enquanto isso, o Pentágono deve divulgar dia 1 de Dezembro um relatório sobre o possível impacto de permitir abertamente o serviço militar aos gays.

Alguns oficiais do Pentágono já disseram que tal exigiria mudanças profundas, em aspectos como habitação, seguros ou protocolo em eventos sociais.

No estado da Califórnia, a juíza Virginia Phillips declarou que a política «Don't Ask, Don't Tell» é inconstitucional, porque viola os direitos dos militares homossexuais à liberdade de expressão e à protecção igual perante a lei.

A acção, tinha sido interposta pela «Log Cabin Republicans», um grupo pro-gay republicano, em nome dos militares gay que tinham sido dispensados.