Mais de 48 horas depois das explosões que mataram pelo menos 105 pessoas na cidade equato-guineense de Bata, uma menina de cinco anos foi esta quarta-feira retirada com vida dos escombros pelas equipas de resgate, noticiou a imprensa local.

De acordo com a edição 'online' do jornal AhoraGE, que cita uma enfermeira do Hospital Regional de Bata, a criança, uma menina de cinco anos, foi retirada durante a manhã pelas equipas de salvamento debaixo dos escombros de uma das casas do campo militar de Nkuantoma, onde ocorreram, no domingo, as explosões.

A criança, cujos pais ainda não foram identificados, foi encontrada "abatida e desidratada", tendo sobrevivido mais de 48 horas debaixo dos escombros, de acordo com a descrição da enfermeira.

A menor está internada e a receber tratamento médico no Hospital Regional de Bata.

Entretanto, no terreno, prosseguem as operações de resgate, com as autoridades de Malabo a serem apoiadas por elementos do Departamento de Defesa dos Estados Unidos e da agência norte-americana de Desenvolvimento na avaliação dos danos causados pelas explosões.

A cidade portuária de Bata, na parte continental da Guiné Equatorial, foi abalada no domingo por uma série de explosões, que ocorreram num quartel militar, provocando a destruição de edifícios públicos e de mais de uma centena de habitações privadas num raio de quilómetros.

De acordo com o mais recente balanço oficial, pelo menos 105 pessoas morreram e 615 ficaram feridas nas explosões, que deixaram ainda um número indeterminado de pessoas desalojadas.

Antiga colónia espanhola, governada há 42 anos por Teodoro Obiang, a Guiné Equatorial, um país rico em recursos, mas com largas franjas da população abaixo do limiar da pobreza, integra a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) desde 2014.

Desde a sua independência de Espanha em 1968, a Guiné Equatorial, um dos principais produtores de petróleo de África, é considerado pelos grupos de direitos humanos como um dos países mais repressivos do mundo, devido a acusações de detenções e torturas de dissidentes e alegações de fraude eleitoral.

O chefe de estado de 78 anos, Teodoro Obiang governa o país com mão de ferro desde 1979, quando derrubou o seu tio Francisco Macias num golpe de Estado, e é o Presidente com o mandato mais longo do mundo.

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