O movimento islamita Hamas, no poder em Gaza, anunciou esta quarta-feira ter disparado 130 ‘rockets’ em direção a território israelita em resposta aos ataques aéreos do Estado judaico que mataram um dos comandantes do grupo armado e destruíram outro edifício.

As Brigadas Izz ad-Din al-Qassam, o braço armado do Hamas, disparou mísseis em direção a três cidades de Israel (Ashkelon, Netivot, Sderot) “em resposta ao raide sobre a torre Al-Shorouk e à morte de num grupo de dirigentes”, indicou a organização em comunicado.

As sirenes de alarme foram acionadas na zona metropolitana de Telavive, indicou a agência noticiosa AFP.

Os serviços israelitas indicaram ter matado uma “dezena” de responsáveis do Hamas, mas também quadros da Jihad islâmica, o segundo grupo armado Faixa de Gaza, em “raides” efetuados desde a noite de segunda-feira.

Para o exército israelita, os ataques a Gaza constituem uma resposta aos “mais de 1.000 ‘rockets’ lançados por diversos grupos armados em direção ao Estado judaico desde segunda-feira.

O Hamas lançou uma primeira salva de ‘rockets’ em direção a Israel em sinal de “solidariedade” com os mais de 900 palestinianos feridos em confrontos com a polícia israelita em Jerusalém Leste, anexado e ocupado por Israel.

O exército informou que um soldado israelita foi morto por disparos antitanque do movimento Hamas.

Pouco antes desta segunda vaga de ‘rockets’, um edifício de 10 andares – 14 segundo o exército judaico – situado na cidade de Gaza foi pulverizado por ataques israelitas, indicou a AFP.

A torre Al-Shorouk, onde estavam instalados os gabinetes da cadeia televisiva palestiniana Al-Aqsa, é o terceiro edifício em altura da cidade de Gaza destruído desde o início, na noite de segunda-feira, da mortífera escalada militar entre Israel e o movimento islamita Hamas.

Na terça-feira, o Hamas disparou a primeira barragem de ‘rockets’ em direção a Telavive, após a completa destruição de um edifício de 12 andares no centro da cidade de Gaza, e onde se encontravam os escritórios de diversos dirigentes do movimento.

Na noite de terça-feira, e após anunciar a destruição de um segundo imóvel de nove andares partilhado por apartamentos, uma televisão local e lojas comerciais, o Hamas lançou novos ataques.

O exército israelita confirmou ter atingido edifícios no centro de Gaza, indicando que eram utilizados pelo Hamas para as suas ações.

Esta nova vaga de violências, as mais intensas desde há sete anos, provocaram pelo menos 62 mortos dos dois lados – 56 em Gaza, incluindo 14 crianças, e seis em Israel.

A violência surgiu, em parte, devido à ameaça de expulsões de civis palestinianos de Jerusalém Oriental em benefício dos colonos israelitas, para além de uma violenta repressão das forças de segurança do Estado judaico no perímetro e no interior da Esplanada das Mesquitas em Jerusalém onde se situa a mesquita de Al-Aqsa, considerado o terceiro local mais sagrado do islão.

Aos confrontos iniciais entre manifestantes palestinianos e polícia israelita, particularmente em redor da mesquita de Al-Aqsa, seguiram-se os ataques com ‘rockets’ do Hamas contra Israel e a resposta das forças de defesa israelitas contra a Faixa de Gaza.

Em finais de abril, a organização Human Rights Watch (HRW), sediada em Nova Iorque, acusou as autoridades israelitas de cometerem “os crimes contra a humanidade de apartheid e de perseguição”, num relatório em que analisa o modo como Israel trata os palestinianos.

No relatório “A Threshold Crossed: Israeli Authorities and the Crimes of Apartheid and Persecution” (Um limiar atravessado: autoridades israelitas e os crimes do apartheid e da perseguição), a HRW justifica a acusação, considerando que existe uma “política abrangente do Governo israelita para manter o domínio dos judeus israelitas sobre os palestinianos e graves abusos cometidos contra os palestinianos que vivem em território ocupado, incluindo Jerusalém Oriental”.

/ MJC