A entrevista de Diana à BBC, em 1995, contribuiu "significativamente para o medo, paranóia e isolamento" que ela viveu nos seus últimos anos, disse o príncipe William, considerando que a entrevista não deveria voltar a ser exibida.

Num vídeo publicado no seu Twitter oficial, o filho mais velho de Diana reagiu assim ao facto de um inquérito interno na estação de televisão britânica ter concluído esta quinta-feira que o jornalista Martin Bashir teve um "comportamento desonesto" para garantir a famosa entrevista com a princesa Diana, numa "violação grave" das normas da emissora britânica.

O inquérito agora realizado pretendeu esclarecer as acusações feitas pelo irmão de Diana, Charles Spencer, de que o jornalista Martin Bashir usou documentos falsos e outras manobras para persuadir Diana a aceitar dar a entrevista. Spencer alegou que Bashir mostrou extratos bancários falsos relacionados ao ex-secretário particular da irmã e de outro ex-membro da família real com o objetivo de obter acesso à princesa.

O juiz aposentado John Dyson, que a BBC encarregou em novembro de liderar a investigação, disse que a estação pública "ficou aquém dos elevados padrões de integridade e transparência" esperados.

William considera que a forma como a entrevista foi obtida influenciou aquilo que Diana acabou por dizer. O príncipe diz que a entrevista contribuiu também para piorar a relação dos pais e "desde então magoou inúmeras outras pessoas".

O duque de Cambridge faz duras críticas à estação de televisão, que não investigou mais cedo as alegações que foram feitas e que se aproveitou da fragilidade da princesa. William considera que a entrevista não deveria voltar a ser exibida, uma vez que contribuiu para criar "uma falsa narrativa" sobre Diana, narrativa essa que durante 25 anos "foi comercializada pela BBC e por outros meios".

A entrevista, na qual Diana disse que "éramos três neste casamento" (referindo-se ao relacionamento do príncipe Carlos com Camilla Parker-Bowles), foi vista por milhões de telespetadores e abalou a monarquia. Carlos e Diana estavam separados desde 1992 e, depois da entrevista, acabariam por se divorciar em 1996. Diana morreu num acidente de carro em 1997. Tinha 36 anos.

Os erros da BBC não só prejudicaram a minha mãe e a minha família, como prejudicaram o público", conclui William.

Da mesma forma, também Harry, o filho mais novo de Diana, reagiu às informações hoje reveladas, através de um comunicado:  “A nossa mãe era uma mulher incrível. Ela era resistente, corajosa e inquestionavelmente honesta. O efeito cascata de uma cultura de exploração e práticas antiéticas acabou por custar-lhe vida."

O duque de Sussex agradeceu a todos "aqueles que assumiram alguma forma de responsabilidade" sobre esta entrevista. “Esse é o primeiro passo em direção à justiça e à verdade. No entanto, o que me preocupa profundamente é que práticas como essas - e ainda pior - ainda são comuns hoje", disse.

A nossa mãe perdeu a vida por causa disso, e nada mudou. Ao proteger o seu legado, protegemos a todos e defendemos a dignidade com que ela viveu sua vida. Vamos sempre lembrar quem ela era e o que representava."

Maria João Caetano