A chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, anunciou, esta quinta-feira, a constituição de um grupo de contacto internacional para alcançar, em 90 dias, uma saída pacífica e democrática para a crise na Venezuela com a realização de eleições presidenciais.

O grupo é integrado por países da União Europeia (UE) e países latino-americanos e visa “promover o entendimento e a atuação comum entre atores internacionais”, disse a Alta Representante da UE para a Política Externa à margem da reunião informal de ministros dos Negócios Estrangeiros a decorrer em Bucareste, Roménia.

O objetivo do grupo de contacto é claro. Trata-se de permitir aos venezuelanos exprimir-se livre e democraticamente através de novas eleições. Não é uma mediação”, frisou Mogherini.

O grupo, que se reunirá pela primeira vez a nível ministerial na próxima semana, num país da América Latina, “fixou um prazo de 90 dias para chegar a um resultado positivo”.

Se constatarmos que é impossível lançar uma dinâmica, o grupo pode terminar os seus trabalhos antes. Mas, se ao fim de 90 dias, forem constatados elementos positivos, o grupo pode decidir continuar”, explicou.

O grupo integra, do lado europeu, a UE e Estados-membros como Portugal, Espanha, França, Itália, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Suécia e, do lado latino-americano, Bolívia, Costa Rica, Equador e Uruguai, mas novos membros deverão ser anunciados nos próximos dias.

A crise política na Venezuela agravou-se na semana passada quando o presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, se autoproclamou presidente interino.

Os Estados Unidos e vários países latino-americanos já reconheceram Guaidó como presidente e a União Europeia exigiu a Maduro a convocação de eleições “nos próximos dias”, caso contrário reconhecerá Guaidó.

Questionada pela France-Presse sobre o reconhecimento de Guaidó como presidente legítimo, Mogherini frisou que essa é “uma prorrogativa dos Estados-membros” e que vários vão, provavelmente, fazê-lo.

Portugal, Espanha, França, Alemanha e Reino Unido estão entre os países que no sábado deram oito dias ao regime de Nicolás Maduro para aceitar a realização de novas eleições presidenciais, caso contrário reconhecerão Guaidó como presidente.

Discuti os próximos passos que os Estados-membros podem dar nos próximos dias e vamos coordenar as suas posições tanto quanto possível”, disse.