A Finlândia foi eleita novamente o lugar mais feliz do mundo. Este é quarto ano consecutivo em que este país nórdico, situado entre a Suécia e a Rússia, é considerado o local mais feliz de um mundo de acordo com um relatório publicado pela ONU.

O Relatório Mundial de Felicidade coloca a Dinamarca em segundo lugar, seguida de Suíça, Islândia e Holanda. A Nova Zelândia foi novamente a única nação não europeia entre os 10 primeiros.

Apesar do sol e do calor, Portugal ocupa o 58º lugar numa lista de 149 países

Os portugueses têm vindo a ganhar posições todos os anos - estavam em 77º lugar em 2017 e em 59º no ano passado.

Ainda assim, estamos muito pior do que a Alemanha (13º lugar), o Reino Unido (17º), os EUA (19º), a França (21º), a Espanha (27º), a Itália (28º) ou o Brasil (35º).

Mas estamos melhor do que o Equador (66º), a Grécia (68º), ou a República Dominicana (73º).

O Afeganistão é aparentemente o lugar mais infeliz do mundo, seguido por Lesoto, Botswana, Ruanda e Zimbabwe.

Lançado em 2012, o Relatório da Felicidade Mundial, conduzido pela Rede de Soluções de Desenvolvimento Sustentável da ONU, tem como objetivo classificar a felicidade global de cada país.

Os dados foram recolhidos pela Gallup, que pediu às pessoas em 149 países que avaliassem a sua própria felicidade: bem-estar é a palavra usada no relatório. Para perceber melhor a que se deve essa felicidade ou infelicidade, essa perceção foi depois cruzada com seis fatores: o PIB per capita, a expetativa de uma vida saudável, apoios sociais, a liberdade individual, a generosidade e a perceção da corrupção no país.

Fica um dado curioso: no ranking que se baseia apenas na perceção dos inquiridos sobre o seu nível de felicidade, sem cruzar isto com outros dados, Portugal fica no 53º lugar - mas estava em 48º lugar no último relatório. Ou seja, os portugueses sentem-se bastante mais tristes agora do que em 2019.
 

É possível ser feliz durante uma pandemia?

2020 foi um ano complicado devido à pandemia e o relatório reflete precisamente o modo como cada país reagiu a esta crise, quer na forma como controlou a doença, quer na forma como isto afetou a qualidade de vida das pessoas e a confiança com que encaram o futuro.

Uma das conclusões a que o relatório chega é que a pandemia não alterou substancialmente a ordenação desta lista. Aqueles que estavam mais felizes há dois anos, continuam a ser os mais felizes agora (mesmo que os resultados de alguns países possam não ser tão fiáveis uma vez que em alguns casos, indicados, foi necessário recorrer a entrevistas telefónicas em vez de entrevistas presenciais).

Os países onde a confiança nas instituições públicas é maior foram também aqueles que cumpriram melhor os confinamentos e as outras medidas restritivas e onde, por isso, o número de mortos acabou por ser mais controlado. E isso acaba por ter um impacto positivo nas pessoas.  A taxa de sucesso no controlo da pandemia influenciou a perceção da felicidade em cada país. Talvez isso explique, em parte, o 9º lugar da Nova Zelândia e o 11º lugar da Austrália neste ranking.

Outra das conclusões curiosas tem a ver com o efeito da covid-19 na economia de cada pais. Segundo este relatório o sucesso da estratégia de testagem e rastreio usada nos países da região Ásia/Pacífico acabou por significar também que eles não tiveram grandes perdas económicas. "Em 2020 não houve escolha entre a economia e a saúde", lê-se no relatório. Os dois fatores andaram quase sempre de mãos dadas. E a felicidade também se relaciona com isto.

Apesar disso, estima-se que o PIB global tenha encolhido cerca de 5% em 2020. Em muitos países a oferta de emprego estava aproximadamente 20% abaixo dos níveis normais em final de 2020. Os jovens com baixo rendimentos e os trabalhadores menos qualificados foram mais afetados pelo desemprego.

Ora, o desemprego durante a pandemia está associado a uma redução de 12% no grau de satisfação com a vida e a um aumento de 9% do afeto negativo. Esta relação é bem visível no caso de Portugal, que aparece referido como um dos países mais afetados pelo desemprego e pela possibilidade de perda de horas de trabalho.

Maria João Caetano