Um homem com 28 anos foi morto e várias pessoas foram baleadas e ficaram feridas na Guiné-Conacri, um cenário de violência que está a marcar o referendo constitucional daquele país, que pode ditar a renovação do mandato presidencial.

De acordo com a AFP, que cita o irmão da vítima mortal, Hafijiou Bah foi baleado e morto em confrontos entre manifestantes e a polícia em Hamdallaye, nos subúrbios de Conacri.

Esta informação foi igualmente confirmada por um responsável da oposição, Abdourahmane Sanoh, que adiantou ainda que resultaram "muitos feridos” de tiroteios.

Segundo uma fonte das autoridades de saúde, citada igualmente pela AFP, oito jovens também foram baleados e feridos em dois locais nos subúrbios de Conacri.

Inicialmente previsto para 01 de março, mas adiado após severas críticas de organizações internacionais à insegurança, o referendo constitucional está a decorrer hoje grande tensão.

Em alguns locais, por exemplo no centro de Conacri, a capital da Guiné-Conacri, a votação arrancou à hora prevista (08:00 locais, a mesma em Lisboa), mas noutros, como em Ratoma, que fica nos subúrbios, registaram-se atrasos devido aos atos de violência.

De acordo com a imprensa local, logo nas primeiras horas de votação, houve material eleitoral queimado, confrontos com a polícia e locais de voto vandalizados, em locais como Cosa, Hamdallaye, Dar-es-salam e Lambanyi, nos subúrbios de Conacri, embora noutras regiões o processo prossiga sem perturbações.

Ao votar pela manhã em Conacri, o Presidente Alpha Condé, pediu calma aos cidadãos, apesar da agitação social e dos receios à volta da pandemia da Covid-19, que já infetou duas pessoas no país.

“Lavem as mãos e distanciem-se das pessoas”, recomendou Alpha Condé à população, em declarações prestadas à imprensa após a votação.

Os 5,3 milhões de eleitores recenseados na Guiné-Conacri são hoje chamados às urnas para eleger o parlamento e decidir sobre uma nova Constituição que poderá permitir a renovação do mandato de Alpha Condé.

A União Europeia advertiu esta sexta-feira que não estão reunidas as condições para uma “votação transparente e pacífica” nas eleições legislativas e referendo constitucional de domingo na Guiné-Conacri, sublinhando a “extrema polarização” do país.

A Guiné-Conacri enfrenta uma crise política desde outubro, com manifestações e protestos violentos contra a intenção anunciada do Presidente de disputar um terceiro mandato como chefe de Estado em 2020.

Mais de 30 civis e um polícia morreram desde o início dos protestos.

/ AM