O mistério em torno do desaparecimento do médico Fernando Cuadrado continua a ser um dos mais enigmáticos casos não resolvidos da polícia espanhola. Há 30 anos,  o Dr. Cuadrado saiu de casa, na Corunha, para ir ao supermercado e desapareceu sem deixar qualquer rasto.

A mulher e os três filhos da vítima continuam sem saber o que se passou naquela noite. Um dos descendentes do desaparecido contou toda a história ao jornal espanhol El Mundo.

Seria um alívio para nós saber o que aconteceu. Continua a ser uma ferida aberta”, diz o filho do meio, que se chama Fernando como o pai e também é médico.

Fernando Cuadrado tinha 49 anos e desapareceu no dia 29 de dezembro de 1990. Era diretor do Serviço de Reabilitação do Hospital da Corunha. A mulher, María del Carmen García, era secretária na mesma unidade hospitalar. Faziam seis anos de casados, ela queria um jantar especial e pediu ao médico que fosse ao supermercado para que lhe cortassem alguns pedaços de carne.

Fernando Cuadrado saiu de casa com um saco na mão e duas mil pesetas (12 euros) no bolso. Mari Carmen ficou na residência com os três filhos: Carmen com cinco anos, Fernando com três e Ana, nascida há apenas um ano.

O trajeto entre a habitação e o supermercado não era superior a 400 metros, cerca de cinco minutos a pé. Todavia, o talhante diz que não viu Fernando Cuadrado naquela noite. Já o dono de um hostel, que existia nas redondezas, garante ter visto o médico a regressar a casa com um saco na mão. Tal como alguns vizinhos que dizem tê-lo avistado a entrar no prédio onde vivia. A verdade é que nunca chegou a abrir a porta do apartamento.

Os testemunhos recolhidos pelas autoridades na altura são contraditórios e não conduziram os agentes a qualquer pista plausível.

Até hoje, a única coisa que sabemos é que nenhum cenário pode ser excluído”, reitera o filho.

A chuva e vento que se faziam sentir naquele sábado, na região, eram significativos e a possibilidade de Fernando Cuadrado ter caído, ou de se ter atirado, ao mar, apenas a 100 metros de casa, foi considerada.

Coincidiu com várias tempestades e foram feitas várias buscas na zona costeira, mas não encontraram nada”, lembra o filho Fernando Cuadrado.

No Hospital da Corunha, onde trabalhava, não foram encontradas quaisquer pistas ou inimigos. O desfecho foi o mesmo na clínica de reabilitação privada de que era dono.

Fernando Cuadrado era ainda membro da Opus Dei e líder de uma associação pró-vida, algo que também se revelou um beco sem saída para os investigadores.

Em março de 1991, três meses depois do desaparecimento, as autoridades decidiram arquivar o caso por falta de provas.

O misterioso desaparecimento de Cuadrado foi perdendo atenção mediática com o passar dos anos. Até que agora o caso voltou a ressuscitar por decisão da Unidade Especializada em Crimes Violentos (UDEV) da Polícia Nacional da Corunha.

Os investigadores criaram uma reconstrução de como seria o rosto de Fernando Cuadrado hoje em dia, com 79 anos de idade. O retrato robô já foi distribuído a nível internacional.

Percebemos que na altura pode ter havido pessoas que sabiam algo, que viram alguma coisa ou tinham certas informações, que por diversas razões, não as quiseram partilhar. Pedimos que agora o façam. Se tem algo importante para dizer, por favor, contacte as autoridades. Saber o que aconteceu seria muito importante para nós”, concluiu Fernando Cuadrado, filho do desaparecido.

Nuno Mandeiro