As Filipinas estão em choque e revoltadas com a morte de um recém-nascido, vítima de pneumonia dois meses depois de ter sido retirado à mãe, uma ativista que se encontra detida, conta a BBC, nesta quarta-feira.

Apesar dos esforços dos advogados de Direitos Humanos que defendem Reina Mae Nasino, de 23 anos, o tribunal negou sempre a possibilidade, que existe na lei filipina, de a mulher poder cuidar da filha na prisão para além do primeiro mês de vida.

Nem no funeral da menina, River, a mãe teve tempo suficiente para se despedir da filha, com o tribunal a reduzir uma autorização de saída de três dias para três horas.

LOOK: Reina Mae Nasino has arrived in the funeral home to see River, her daughter she was only able to hold for a month...

Publicado por Philstar.com em  Terça-feira, 13 de outubro de 2020

Reina Mae Casino não sabia que estava grávida quando foi detida em novembro do ano passado, em Manila, juntamente com outros dois ativistas de Direitos Humanos. Os três, que trabalhavam para o grupo Kadamay, contra a pobreza nas cidades, foram acusados de posse ilegal de armas e explosivos, acusação que negaram, alegando que as supostas provas foram colocadas pelas autoridades no local, o escritório onde se reuniam e viviam.

Desde o primeiro momento, e em vão, o grupo de advogados que a representava, National Union of Peoples Lawyers, pediu a libertação da detida. O tribunal não foi sensível ao argumento de que a mulher iria viver a gravidez numa prisão em plena pandemia de covid-19 nem ao pedido para que mãe e filha permanecessem juntas após o parto.

Ficámos chocados com o facto de o tribunal negar tal apelo. A juíza só precisava de considerar as acções judiciais pela sua própria perspetiva, enquanto ser humano. Mas, infelizmente, a compaixão e a misericórdia não se estenderam à mãe e ao seu filho", contou a advogada Josalee Deinla.

River Masino nasceu a 1 de julho e o hospital recomendou que a criança ficasse com a mãe para poder ser amamentada, uma vez que nasceu com pouco peso.

Mas as autoridades prisionais disseram não ter meios para manter mais de um mês na prisão uma criança.

A 13 de agosto a menina foi retirada à mãe e entregue à avó materna e Reina Mae Nasino não pôde mais ver a filha devido às restrições impostas pela covid-19.

River morreu na semana passada, vítima de pneumonia, menos de dois meses depois de ter sido retirada à mãe.

Nas redes sociais são muitas as críticas à "justiça seletiva", que não tem problemas em separar uma criança que precisa da mãe ao mesmo tempo que perdoa um militar norte-americano acusado do homicídio de um transexual.

Catarina Machado