A Finlândia recebeu mais de 5.300 inscrições em apenas um mês para um projeto inovador que oferece aos trabalhadores estrangeiros do setor da inovação tecnológica e às suas famílias a chance de se mudarem para o país nórdico por 90 dias, uma espécie de test-drive para decidirem se querem tornar a mudança permanente.

Não estamos no topo das opções dos estrangeiros, mas sabemos que quando chegam tendem a ficar", afirma Johanna Huurre, da Helsinki Business Hub, que idealizou a campanha. “Há uma grande competição global por talentos e, por isso, tivemos de pensar de forma criativa".
 
Huurre disse que o projeto despertou maior interesse nos Estados Unidos e Canadá, responsáveis ​​por cerca de 30% dos candidatos. O resto foi distribuído uniformemente, com mais de 50 britânicos e um candidato da ilha de Vanuatu, no Pacífico sul.
 
A maior parte dos candidatos tem família e expressou vontade de querer trabalhar remotamente para seus atuais empregadores, pelo menos inicialmente, disse Huurre. Por outro lado, mais de 800 candidatos eram empreendedores com o objetivo de lançar startups, sendo que o resto dos candidatos procuravam emprego.
 
A Finlândia, casa da Nokia, da tecnologia do SMS e do 5G e do software Linux, tem um cenário de start-ups em expansão de seis mil milhões de euros. É o país com maior número de startups digitais per capita do mundo. Multinacionais de tecnologia como a Google, a Bayer e a GE Healthcare também criaram campus recentemente no país.
 
O projeto, já encerrado para candidaturas, fornecerá aos candidatos aprovados toda a documentação oficial necessária, moradia adequada, escola ou creche para os filhos, instalações de trabalho remoto, apresentações a centros e redes de tecnologia dentro e ao redor de Helsínquia, tal como ajuda com a burocracia para tornar a residência permanente.
 
Tem sido uma ótima campanha para mostrar a Finlândia”, disse Joonas Halla, da Business Finland. “O que é bom é a abordagem prática. O setor de tecnologia aqui está realmente numa altura próspera - segundo estimativas, deve criar 50.000 novos empregos em 2021. Precisamos do talento”, afirma. 
 
 
Segundo Joonas Halla, os recém-chegados, principalmente dos Estados Unidos, são atraídos não apenas pelas perspetivas de emprego, mas também pelo serviço universal de saúde, pelas condições de licença parental, tal como pelo equilíbrio entre a vida profissional e pessoal.
 
A Finlândia está no topo do ranking dos países mais felizes do mundo há três anos consecutivos e conseguiu manter o número de mortos provocados pela pandemia em 85 por milhão de habitantes, uma das mais baixas taxas do mundo, “As empresas realmente aperceberam-se disso”, afirma Halla, destacando que, na ótica dos negócios, "tudo ajuda a construir confiança, e isso é vital.”