O Quénia está a enfrentar uma praga de gafanhotos que ameaçam as culturas e as pastagens agrícolas no país. A organização para Agricultura e Alimentos das Nações Unidas refere que estes enxames estão a fazer efeitos em vários países, o que pode resultar em consequências negativas para 3,5 milhões de pessoas até maio.

Grande parte do problema está na incapacidade para produzir alimento, levando ao aumento da fome num país que já sofre desse problema.

Eles acabam com tudo, olhe para este milho. Se olhar, só vai estar cá mais dois dias, depois disso não sobrará nada", afirma à agência AFP Jane Gatumwa, um agricultor local. 

O problema foi relatado e filmado por Cyril Ferrand, diretor da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO, na sigla original) para o Este de África.

Além da incapacidade de colher os cereais plantados, este problema afeta também os alimentos usados para o gado: "Eles acabam com tudo, está tudo seco".

O ano passado o Quénia enfrentou a pior praga em 70 anos, o que ameaçou a segurança alimentar de milhões de pessoas. Este ano, a mesma situação prepara-se para ocorrer no país.

Quando olhamos para a magnitude do problema, é muito maior do que uma vaga e é recorrente", afirmou Cyril Ferrand, diretor da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO, na sigla original) para o Este de África.

Esta praga está a espalhar-se entre as regiões do Sudão e da Somália, sendo que os especialistas esperam pragas ainda maiores, uma vez que estes gafanhotos são ainda novos, e devem começar a crescer e a reproduzir-se em breve.

Uma das esperanças dos responsáveis quenianos é que a época das chuvas possa ajudar no extermínio desta praga. Em sentido contrário, os especialistas dizem que, se os gafanhotos consigam sobreviver às monções, pode originar-se uma praga ainda maior.

António Guimarães