Os islamitas Al-Shabab, da Somália, negaram levantar a proibição de 2009 sobre as agências de ajuda ocidental e dizem que os relatórios da ONU sobre a fome são «pura propaganda». Nem mesmo depois da ONU, na quarta-feira, ter dito que a Somália estava a viver a pior seca em 60 anos.

Um porta-voz da Al-Shabab, que tem laços com a Al Qaeda e controla grande parte do país, acusou os grupos de ajuda de agirem com intuitos políticos. Mas, a ONU insiste fome existe e vai continuar os seus esforços de ajuda. «Estamos absolutamente convencidos de que existem situações de fome em duas regiões do sul da Somália», disse David Orr, porta-voz do Programa de Ajuda Alimentar a África, à BBC.

Por isso, diz este responsável da ONU, que há milhares de pessoas que estão a fugir das áreas sob alçada da Al-Shabab, para campos instalados em áreas da capital controladas pelo fraco governo interino, que está lutando contra os insurgentes islamitas. Mais de 166 mil abandonaram o país nos últimos meses e refugiaram-se no Quénia e na Etiópia.

A fome em África afecta cerca de dez milhões de pessoas e a Somália é, de longe, o país mais afectado, já que não há governo nacional para coordenar a ajuda após duas décadas de luta.
Redação / CF