Alain Juppé acaba de anunciar que não será candidato às presidenciais francesas. Argumenta que não está em condições de representar um "projeto unificador", quando havia quem olhasse para ele como um possível candidato, dado o escândalo que pesa sobre François Fillon, que venceu as primárias do Partido Republicano.

É por isso que eu confirmo, de uma vez por todas, que eu não serei candidato. Para mim, é tarde demais"

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O também presidente da câmara de Bordéus disse que não se lembra de uma eleição presidencial que tenha desembocado numa "situação tão confusa". 

Juppé tinha perdido as primárias do Partido Republicado para François Fillon, que vai ser formalmente acusado no inquérito sobre uso indevido de fundos públicos. É suspeito de favorecer a mulher e os filhos quando estava no Governo. 

Ora, Juppé recordou que deu "imediatamente" o seu apoio a Fillon quando o venceu nas primárias e que "repetidamente" renovou esse apoio. Agora, critica a “obstinação” do ainda candidato do partido Os Republicanos, por querer, a todo o custo, manter-se na corrida ao Eliseu.

Certo é que Fillon está a perder uma série de apoios. No fim de semana, as suas casas foram alvo de buscas policiais.

Meses antes das primárias, Juppé, 71 anos, liderava as sondagens. Foi derrotado, mas os analistas acreditavam que poderia sair vencedor das Presidenciais (23 de abril), beneficiando das divisões à esquerda e do receio de muitos eleitores face ao crescimento da Frente Nacional de Marine Le Pen, que o primeiro-ministro Manuel Valls disse que poderá ir à segunda volta (7 de maio).