Um anestesista francês terá envenenado dezenas de doentes, provocando-lhes paragens cardíacas, apenas para dizer depois que lhes tinha salvo a vida.

Durante a investigação, as autoridades ligaram Fréderic Péchier ao envenenamento de pelo menos 24 doentes, com idades dos quatro e os 80 anos, entre 2008 e 2016, em duas clínicas da cidade de Besançon. Nove dos envenenamentos terão sido letais. 

O médico está em liberdade condicional, depois de ter recorrido da medida de coação de prisão preventiva

As autoridades apelidam o comportamento de Péchier como sendo o de um “bombeiro pirómano”, uma vez que, alegadamente, o anestesista preparava cocktails anestésicos para fazer com que os pacientes entrassem em paragem cardíaca. Depois disso, Péchier deveria salvar os doentes. Os investigadores acreditam que todo o processo seria feito de forma deliberada. Ao todo, o clínico foi investigado por 66 situações de envenenamento, resultando nos 24 casos finais.

O método utilizado por Péchier consistia em adulterar as doses de medicamentos administradas aos doentes; alterava a composição, colocando doses elevadas de anestésicos. O francês agia muito rápido quando confrontado com as paragens cardíacas dos pacientes, o que sugere que estava já a prever o episódio crítico. Em períodos de conflito do médico com colegas, os episódios de paragens cardíacas súbitas aumentavam, para que Péchier saísse da sala de operações como o herói. 

Jean-Yves Le Borgne, advogado do anestesista, falou à BFM-TV para dizer que, para já, os “envenenamentos são apenas uma hipótese”, alertando para a presunção de inocência do seu cliente.

Na conferência de imprensa de apresentação do caso, o procurador de Besançon, Étienne Manteaux, disse que Péchier é um “denominador comum” em todos os 24 casos. 

O procurador adiantou que o indiciado terá dito que “existe uma conspiração na clínica” e que “houve envenenamentos”, embora não tenha admitido a autoria de tais atos.

Não se pode confiar num médico que foi rotulado como um envenenador… A minha família está desolada e tenho medo pelos meus filhos”, disse Péchier à saída do tribunal

Também em declarações aos meios de comunicação franceses, Péchier disse que, "independentemente do fim do processo, a minha carreira está arruinada”.