Um homem vai ser julgado por abuso sexual de menores e por assédio a menores, em França, naquele que pode ser o maior caso de pedofilia da história do país, segundo o L'Express. Joël Le Scouarnec está relacionado a cerca de 250 crimes praticados com menores e já foi condenado por um caso semelhante, em 2005. Em casa do suspeito foi descoberto um caderno com mais de 200 nomes de crianças e várias descrições de alegados crimes.

O cirurgião de 68 anos, que está detido desde 2017 por abuso de uma menor, está agora acusado do abuso das duas sobrinhas, também menores de idade, mas as investigações continuam para apurar a veracidade de outros casos ocorridos na cidade de Charente-Maritime, na região da Bretanha.

O homem é suspeito de ter prepertrado crimes sexuais entre 1989 e 2017, altura em que terá violado a última vítima, uma menina de seis anos que era sua vizinha. A vítima terá contado os factos à mãe, que apresentou queixa em tribunal e que levou à detenção do suspeito, condição em que continua. O novo julgamento deverá começar no início de 2020 e o presumível pedófilo pode enfrentar uma pena de prisão superior a 20 anos.

Ele disse-lhe 'toca-me no sexo' através da vedação e parecia excitado com esse tipo de coisas, passava a mão pela cerca e violava a minha cliente", afirmou a advogada da criança, Francesca Satta, à BFMTV.

O suspeito nega os abusos, mas admite a prática de comportamentos inadequados, que pode ter durado quase 30 anos, uma vez que os factos levados a tribunal recuam até final dos anos 80. Na totalidade, Joël Le Scouarnec está implicado em mais de 200 crimes relacionados com abuso sexual de menores, sendo que alguns terão ocorrido no hospital onde trabalhava sem que a Ordem dos Médicos tivesse dado pelo caso.

Caderno com nomes de mais de 200 crianças

As novas investigações revelaram um caderno onde o homem tinha nomes de perto de 250 crianças, bem como descrições daquilo que poderão ter sido alguns dos crimes praticados. No entanto, o suspeito afirma que tudo não passa de histórias de ficção que o próprio escrevia.

Alguns dos casos só agora foram descobertos e existem alegadas vítimas que nem sabiam que o eram. Um dos nomes que constam do diário encontrado pelas autoridades foi contactado pela polícia francesa, mas não fazia ideia do sucedido. As autoridades acreditam que poderá ter sido apenas assédio sexual e que o jovem, na altura com 14 anos, poderá não ter percebido as intenções, mas que isso não deixa de configurar um crime.

Primeiro tive problemas em compreender. Depois fiquei chocado, enojado, mas sobretudo zangado com ele", contou o rapaz de Lorient, hoje com 30 anos, ao Charente Libre.

A advogada Francesca Satta teve acesso ao diário, que "é de enorme preversão", e diz que o suspeito considera as crianças como um objeto sexual e que todas as histórias são sobre as suas fantasias sexuais.

Já o advogado de defesa, Thibault Kurzawa, relativiza a questão do diário, afirmando que o seu cliente "escrevia muito" e relembrando ainda que terá que vigorar o princípio da presunção de inocência. A defesa também reforça a versão das histórias serem fantasias e não realidade.

Os nomes que são dados correspondem a agressão? Não sabemos. Não podemos dizer que cada nome representa uma vítima", afirmou à imprensa francesa.

Joël Le Scouarnec já tinha sido condenado em 2005, a quatro meses de pena suspensa, depois de ter sido provado que tinha acedido a conteúdos de pornografia de menores.

/ AG