A querela política que se tem desenrolado entre os presidentes de França e do Brasil ultrapassou o espectro político, subiu de tom e entrou na esfera pessoal, este domingo. Bolsonaro reagiu a um comentário sobre a mulher de Macron e o político francês não gostou.

No domingo, depois de Macron ter sido insultado por um ministro, por um conselheiro e pelo filho de Jair Bolsonaro, o próprio presidente brasileiro decidiu lançar algumas farpas ao homólogo francês.

Um utilizador do Facebook fez uma publicação na qual comparava a beleza das primeiras-damas do Brasil e de França, insinuando que essa seria a razão para Macron “perseguir” Bolsonaro.

Jair Bolsonaro aproveitou a deixa para fazer um comentário entre risos: “não humilha cara".

Esta segunda-feira, o Macron condenou a resposta do presidente brasileiro acerca da sua mulher, classificando-a de “extraordinariamente rude”.

Fez um comentário extraordinariamente rude sobre a minha mulher. O que posso dizer? É muito triste para ele, em primeiro lugar, e para os brasileiros”, garantiu, numa conferência de imprensa durante a reunião do G7, em Biarritz.

"É triste. Penso que as mulheres brasileiras têm, sem dúvida, vergonha de ler isso do seu presidente. Penso que os brasileiros, que são um grande povo, têm um pouco de vergonha de ver este tipo de comportamento. Esperam um presidente que se comporte bem com os outros. E, como tenho muita amizade e respeito pelo povo brasileiro, espero que muito rapidamente tenham um presidente à altura".

No domingo, um ministro do Governo de Bolsonaro também usou o Twitter para insultar o presidente francês.

Macron não está à altura deste embate. É apenas um calhorda oportunista, buscando apoio do lóbi agrícola francês", escreveu hoje no Twitter o ministro da Educação brasileiro, Abraham Weintraub, numa referência à oposição do Presidente francês ao acordo de livre comércio entre a União Europeia (UE) e Mercosul [Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai].

Já anteriormente, Eduardo Bolsonaro, filho do Presidente brasileiro, que é deputado e que poderá ser o futuro embaixador do Brasil em Washington, tinha retweetado com o título: "Recado para o @EmmanuelMacron", onde se vê um vídeo dos confrontos com os 'coletes amarelos' em França, com o texto "Macron é um idiota". 

Emmanuel Macron manifestou na quinta-feira preocupação com os fogos florestais que estão a devastar a Amazónia, a maior floresta tropical do planeta, evocando uma "crise internacional" e pedindo aos países industrializados do G7 "para falarem desta emergência" na cimeira deste fim de semana em Biarritz (sudoeste de França).

O acordo de livre comércio entre a UE e o Mercado Comum do Sul (Mercosul), integrado pelo Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, foi fechado em 28 de junho, depois de 20 anos de negociações.

O pacto abrange um universo de 740 milhões de consumidores, que representam um quarto da riqueza mundial.

A Irlanda ameaçou também votar contra o acordo comercial se o Brasil não tomar medidas para proteger a floresta amazónica.

A Amazónia é a maior floresta tropical do mundo, cerca de 5,5 milhões de quilómetros quadrados, e possui a maior biodiversidade registada numa área do planeta.

Susana Laires