O ex-primeiro-ministro francês e candidato do centro direita às eleições presidenciais de maio, François Fillon, disse esta segunda-feira que não vê razões para devolver o dinheiro que foi pago à mulher Penelope e aos filhos enquanto seus colaboradores, noticiam a agência Reuters e o jornal francês Le Figaro.

A braços com o escândalo “Penelopegate”, sobre a suspeita de utilizar dinheiros públicos para contratar de forma fictícia a mulher como sua assistente parlamentar sem que ela tenha trabalhado como tal, François Fillon afirmou, em conferência de imprensa, que “não tem nada a esconder” e que vai manter-se na corrida à eleição presidencial.

Falando aos jornalistas na sede de campanha em Paris, François Fillon, de 62 anos, pediu desculpa aos franceses, por ter dado emprego à mulher e aos filhos, mas garantiu que o fez de forma “legal e transparente”. O candidato conservador às presidenciais prometeu revelar ainda esta segunda-feira todos os pagamentos que foram feitos à família como seus colaboradores.

 “O primeiro passo em política é reconhecer os erros: colaborar com a família em política já não é algo aceitável para os franceses (...) Foi em erro, estou profundamente arrependido e quero apresentar as minhas desculpas aos franceses", afirmou.

Fillon, que foi chefe do governo entre 2007 e 2012, disse que entende as interrogações do povo francês e a necessidade de esclarecimento, mas afirmou também que está a ser alvo de um ataque de uma violência nunca vista.

Apesar da polémica, o ex-primeiro-ministro anunciou que nada o fará mudar de ideia e que não abandona a corrida presidencial. Fillon sublinhou estar convencido que depois desta conferência de imprensa poderá dar início a uma nova fase da campanha e concluiu dizendo que espera ganhar as eleições.

"Uma nova campanha começa esta noite. Eu sou o único candidato capaz de levar a cabo uma renovação nacional ", defendeu.

À medida que tem aumentado o escândalo do “Penelopegate”, aumenta também a pressão do partido republicano francês para que Fillon se retire da corrida presidencial. François Fillon tem sido visto como o único capaz de derrotar a extrema-direita de Marine Le Pen numa eventual segunda volta.

Favorecimentos à família

De acordo com uma investigação levada a cabo pelo jornal satírico Le Canard Enchaîné, a mulher de François Fillon teve durante oito anos um emprego fictício enquanto assistente parlamentar. O suposto trabalho permitiu-lhe ganhar um salário de meio milhão de euros de dinheiro público sem nunca ter trabalhado como tal.

O mesmo jornal revelou que a verba é um pouco superior e adiantou que Penelope terá recebido também dinheiro como colaboradora de La Revue des Deux Mondes.

De acordo com o jornal, Penelope terá recebido mais de 800 mil euros como remuneração de um cargo que não terá exercido realmente. Mas na teoria e para efeitos salariais, foi assistente do marido e do seu vice Marc Joulaud, entre 1988 e 1990, entre 1998 e 2007 e, mais tarde, de 2012 a 2013.

Além disso, terá recebido mais de 100 mil euros como assistente na revista.

Mas os favorecimentos de Fillon à família não se terão ficado por aqui: o candidato presidencial também remunerou os dois filhos, com uma verba que rondou os 84 mil euros, como seus assistentes, quando foi senador, entre 2005 e 2007. As circunstâncias em que receberam as remunerações e as funções que exerceram não são muito claras.