O juiz instrutor de um processo em que a líder da extrema-direita francesa, Marine Le Pen, é acusada de "difusão de imagens violentas" ordenou que se realize um exame psiquiátrico à presidente da União Nacional (ex-Frente Nacional), antes da realização do julgamento. Le Pen insurgiu-se contra a decisão do magistrado e fez saber, esta quinta-feira, que não aceita submeter-se ao exame, noticia o jornal Le Figaro. Em causa estão fotografias de execuções do grupo Estado Islâmico que a ex-candidata à presidência francesa divulgou em 2015, no Twitter.

Na ordem judicial, que data de 11 de setembro, lê-se que o exame tem como objetivo determinar se Le Pen "está em condições de compreender o discurso e de responder às questões" e se "a infração apontada tem relação com elementos factuais ou biográficos da interessada". O magistrado impõe que o exame se realize "no mais breve prazo".

Através de mensagens publicadas, esta quinta-feira, no Twitter, a líder da extrema-direita mostrou-se revoltada com a decisão do juiz.

É verdadeiramente alucinante. Este regime começa a ser assustador", escreveu, ao publicar o documento judicial.

 

 

"Eu achava que era legítimo, mas não! Por denunciar os horrores do Daesh [Estado Islâmico] em tweets, a 'justiça' submete-me a perícia psiquiátrica! Até onde é que eles irão?, questiona Marine Le Pen.

 

De acordo com o Le Figaro, em declarações aos jornalistas, na Assembleia Nacional, em Paris, também esta quinta-feira, Marine Le Pen reiterou que não irá comparecer.

Não vou, é claro, submeter-me a esse exame psiquiátrico", afirmou. "Quero ver como os magistrados pretendem obrigar-me", desafiou.

A 16 de dezembro de 2015, Marine Le Pen divulgou no Twitter três fotografias de execuções do Estado Islâmico, em resposta ao jornalista Jean-Jacques Bourin, da BFMTV. A líder da União Nacional acusava-o de ter “feito um paralelo” entre o seu partido e o grupo jihadista.

Na publicação, Le Pen identificou o jornalista e criticou-o pelo que considerou ser uma "derrapagem inaceitável" e "declarações imundas", divulgando as fotografias com a frase: "O Daesh é isto!".

As imagens mostravam um soldado sírio, vivo, esmagado pelas lagartas de um tanque, um piloto jordano queimado vivo numa jaula e o corpo decapitado do jornalista norte-americano James Foley.

As fotografias foram publicadas cerca de um mês depois dos atentados de Paris, nos quais morreram 130 pessoas, e suscitaram muita polémica em França.