Ela e ele, a alemã Angela Merkel e o francês François Hollande, cada um em seu país, mostraram desagrado com as mais recentes declarações do próximo presidente norte-americano, Donald Trump. O qual aplaudiu a decisão britânica de abandonar a União Europeia e previu que outros países farão o mesmo, em breve.

Em Berlim, a chanceler Merkel não deixou sem resposta as críticas que lhe foram dirigidas por Trump, numa entrevista conjunta aos jornais britânico The Times e alemão Bild. Sobretudo, no que respeita ao acolhimento que a Alemanha tem dado aos refugiados que chegam de África e do Médio Oriente.

Quero separar [a questão do terrorismo] da questão dos refugiados (...) no que respeita à guerra na Síria", disse Merkel, sublinhando ainda, segundo conta o site do jornal francês Le Monde, que a maioria dos sírios "fugiram da guerra civil, dos combates contra Assad e a repressão de Assad".

Também as críticas de Donald Trump sobre a União Europeia foram alvo de uma resposta singela da chanceler.

Penso que nós, os europeus, temos o nosso destino nas nossas próprias mãos. Eu vou continuar a mobilizar-me para que os 27 Estados-membros trabalhem em conjunto no futuro (...) face aos desafios do século XXI", realçou Angela Merkel.

Hollande responde "à la lettre"

Em Paris, o presidente francês condecorou com a Legião de Honra a embaixadora norte-americana Jane Hartley, nomeada pela administração Obama e que agora cessa funções.

Digo-vos aqui: a Europa estará sempre pronta a manter a sua cooperação transatlântica, mas essa será determinada em função dos seus interesses e dos seus valores. A Europa não precisa de conselhos externos que lhe digam o que tem de fazer", afirmou o presidente francês.

François Hollande, que irá deixar a presidência francesa com as próximas eleições, abordou ainda a questão da NATO, igualmente referida na entrevista, por Trump, para quem a aliança está obsoleta.

Esta aliança foi concebida para fortalecer a capacidade dos seus membros de se protegerem coletivamente. Só estará obsoleta quando as ameaças estiveram obsoletas", concluiu Hollande.