O ex-ministro francês da Economia, Emmanuel Macron, é oficialmente candidato às eleições presidenciais, que vão ocorrer no país em 2017. Aos 38 anos, será o mais jovem dos candidatos às eleições do próximo ano. 

De acordo com o jornal francês Le Monde, Emmanuel Macron fez, esta quarta-feira de manhã, um discurso num dos subúrbios industriais no nordeste de Paris durante o qual (finalmente) formalizou a candidatura à eleição presidencial, depois de meses de (falso) suspense. A decisão de Macron era esperada desde que deixou o Governo em agosto.

No discurso do anúncio da candidatura, Emmanuel Macron apresentou-se como candidato independente e destacou três aspetos essenciais: propor uma "revolução democrática", colocar prioridade em revitalizar a Europa "a nossa oportunidade na globalização", concentrar-se no trabalho "que capacita e emancipa todos" e a "proteção dos mais fracos".

No discurso de cerca de 20 minutos dirigido aos franceses, Macron atacou os "bloqueios" que, segundo ele, paralisam a França. O ex-ministro insistiu no discurso que manteve nos últimos meses contra o sistema estabelecido, para se erigir como estandarte de uma "revolução democrática".

"O sistema deixou de proteger aqueles que tinha de proteger", afirmou, denunciando uma organização política "que vive para ela própria, mais preocupada com a própria sobrevivência do que pelos interesses do país".

Para Macron, tudo passa por "libertar as energias" dos que podem apresentar algo ao país e por "proteger os frágeis" dentro de um país que se encontra "bloqueado pelo corporativismo".

"Há gente que pensa que o nosso país está em decadência e propõem a guerra civil e receitas do século anterior. Estou convencido de que a França tem vontade de avançar, porque tem a história e o povo para isso. A França sempre foi um motor de progresso", defendeu.

Para justificar a candidatura fora dos partidos tradicionais, o ex-ministro da Economia garantiu que se apresenta "sob o sinal da esperança" que pretende transmitir, especialmente aos jovens.

“O meu objetivo não é unir a direita ou unir a esquerda, mas sim unir todos os franceses", sublinhou.

Com esta afirmação, diz o Le Monde, Emmanuel Macron respondeu tanto aos que o acusam de ser o “futuro coveiro da esquerda”, como aos que o acusam de perturbar a candidatura de direita, já que se assume como um liberal, dizendo não ser de esquerda nem de direita, o que o ajuda a obter aceitação em ambos os espetros eleitorais.

O candidato deverá enfrentar a campanha sem o apoio de um dos grandes partidos tradicionais, embora conte com a plataforma En Marche! que ele mesmo fundou.

"Dentro de alguns meses, por ocasião da eleição presidencial, será oferecido rejeitar o 'status quo' e escolher avançar. Esse combate que devemos travar para que o nosso país tenha êxito começará em 2017. A responsabilidade do Presidente da República é imensa", disse.

Convidado, como independente, a integrar o Governo de François Hollande, Macron foi autor de um importante conjunto de reformas com vista à liberalização da economia francesa. Os atritos com a ala esquerda do Partido Socialista francês e uma boa parte dos colegas do Governo ditariam o afastamento do Executivo em agosto deste ano e a criação do movimento En Marche!, de que é fundador.

Antes de entrar na política, Emmanuel Macron fez carreira como executivo no banco de investimento Rothschild & Cie.

“Nada me afeta”

O primeiro-ministro francês já reagiu ao anúncio oficial da candidatura presidencial do seu ex-ministro da Economia.

Questionado esta quarta-feira de manhã pelos jornalistas à chegada à universidade de Cergy-Pontoise, no Val-d’Oise, sobre a entrada de Emmanuel Macron na corrida ao Eliseu o afeta, Manuel Valls respondeu: “Nada me afeta”.

Emmanuel Macron demitiu-se go Governo em agosto, em rota de colisão com Manuel Valls.

Macron junta-se às candidaturas já anunciadas de Nicolas Sarkozy, Alain Juppé e Marine Le Pen, a líder da Frente Nacional francesa.

Acusado de ter sido eleito com promessas de políticas de esquerda para depois governar à direita, Hollande surgirá preso, por motivos eleitorais, a um discurso tendencialmente de esquerda.

Aline Raimundo / CP