Os coletes amarelos voltaram a protestar, este sábado de manhã nas ruas das principais cidades francesas. Uma manifestação contra o Governo de Emmanuel Macron, que, à semelhança de outros sábados, juntou centenas de pessoas nas ruas de Paris. Mas o protesto estendeu-se também a cidades como Marcelha Bordeaux, Toulouse e Lyon.

Em Paris, as autoridades estavam a contar com duas manifestações distintas para as quais tinham sido pedidas autorizações junto da Câmara Municipal. A primeira marcha partiu da praça do Hôtel-de-Ville, cerca do meio-dia (11:00 em Lisboa), rumo à Assembleia Nacional. A segunda concentração teve lugar nos Champs-Élysées, onde decorreram os principais protestos nos outros sete sábados de manifestações.

De acordo com o jornal Le Parisien, mais de 3600 agentes das autoridades foram enviados precisamente para os Champs-Élysées, para evitar distúrbios dos protestos anteriores.

O protesto estava marcado para o meio-dia, mas, cerca das 11:00 locais, já estavam reunidas entre 500 a 600 pessoas perto do Arco do Triunfo. 

Vamos manifestar-nos aqui todos os sábados. Isto vai continuar durante todo o ano de 2019", disse Sophie, uma das organizadoras do protesto, ao megafone, para os outros manifestantes. 

Vamos certificar-nos que os cidadãos retomam o poder. Queremos o Estado geral organizado pelo povo e para o povo."

De acordo com a agência AFP, os incitamentos da organizadora eram seguidos de "Macon demissão". 

Foi nas proximidades dos Champs-Élysées que a polícia deteve, na quarta-feira, Eric Drouet, tido como uma das figuras incitadoras do movimento. A detenção provocou a indignação dos coletes amarelos e da oposição a Macron. Muitos pediram a intervenção dos defensores dos direitos humanos e classificaram a detenção de um "atentado à liberdade".

Tensão e chamas no protesto

A tensão, as chamas e o cheiro a queimado aumentaram, pelas 16:15 locais (15:15 em Lisboa), na margem sul do rio Sena, em Paris, onde se mantém o ‘braço-de-ferro’ entre manifestantes, com e sem “coletes amarelos”, e a polícia local.

Os agentes dispersaram as centenas de manifestantes da zona junto ao museu de Orsay, mas os “coletes amarelos”, que têm exigido mudanças de políticas, deslocaram-se para a restante margem esquerda do rio Sena, como a Lusa tem acompanhado no local.

Ao longo da avenida Saint Germain, as chamas são visíveis, à medida que os manifestantes vão ateando fogos a caixotes do lixo e a veículos.

Apesar de o trânsito continuar a circular e as portas dos restaurantes e cafés permanecerem abertos, o ambiente vivido assemelha-se a uma “batalha campal”, com muitos arremessos de gás lacrimogéneo, granadas de fumos e ‘very lights’ (foguetes incendiários). Da parte da polícia, a resposta passou a ser dada por canhões de água.

Quem por ali passa, moradores ou turistas, tende a entrar, para se proteger, nos espaços comerciais, a quem foi pedido esse papel pelas autoridades parisienses.

25 mil em França

As manifestações de “coletes amarelos” juntaram este sábado 25 mil pessoas em toda a França, segundo a contabilização da polícia feita às 15:00 locais (14:00 de Lisboa).

As autoridades recordaram que o ‘pico’ de participação foi registado no sábado passado, quando foram para a rua 32 mil pessoas, para exigir alterações políticas.

A situação é tensa, especialmente em Paris, onde há ações violentas contra a polícia, tentativa de entradas forçadas em autarquias - Montpellier, Troyes -, no Tribunal de Primeira Instância de Avignon e tensões esta manhã em Beauvais", acrescentou a polícia.