A polícia francesa voltou esta segunda-feira a fazer buscas na sede da Frente Nacional em Nanterre, Hauts-de-Seine, a oeste de Paris. Em causa está a investigação à utilização indevida de fundos europeus para pagar aos assistentes parlamentares de Marine Le Pen, noticia a agência Reuters.

"Pela segunda vez, efetua-se uma busca aos mesmos escritórios, sobre os mesmos factos alegados, confirmando que a primeira busca não teve sucesso", informa a Frente Nacional, em comunicado, citado pelo jornal francês Le Figaro.

De acordo com o mesmo comunicado, para a Frente Nacional, "esta é obviamente uma operação mediática, cujo único objetivo é tentar perturbar o rumo da campanha eleitoral presidencial e tentar minar Marine Le Pen numa altura em que a sua candidatura cresce nas sondagens, especialmente para a segunda volta.”

A justiça francesa abriu a 15 de dezembro de 2016, uma investigação criminal por abuso de confiança, fraude por um grupo organizado e falsificação, num caso de suspeitas de fraude praticada pelo partido de extrema-direita liderado por Marine Le Pen, em matéria de pagamento a assistentes parlamentares.

De acordo com a Reuters, o Parlamento Europeu acusou Marine Le Pen de, enquanto líder da Frente Nacional, ter pago a membros da sua equipa partidária com fundos da União Europeia durante a legislatura 2011-12.  As regras da UE determinam que os fundos sejam usados apenas para pagar a assistentes de deputados.

Em março de 2015 o órgão do Parlamento Europeu responsável pelo combate à fraude investigou as condições de pagamento dos salários de 20 membros da equipa parlamentar da Frente Nacional, cujos nomes constavam igualmente das listas do partido.

Na altura da investigação o departamento anti-fraude tinha passado para a alçada do presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz.

Na sexta-feira, Marine Le Pen desmentiu o relatório do mesmo departamento, dizendo que, ao contrário do que este mantém, nunca reconheceu que pagou a um guarda-costas como se fosse seu assistente parlamentar, ou seja, nunca criou empregos fictícios para usar fundos da UE para pagar salários. 

Em meados de dezembro passado, a procuradoria de Paris pegou no dossiê.