É preciso recuar 64 anos, em plena II Guerra Mundial, para encontrar uma crise diplomática tão grave entre os governos de Paris e Roma. Emmanuel Macron chamou o embaixador francês em Itália para dialogar sobre "o ataque italiano" dos últimos meses. 

Em causa estão as reuniões entre líderes do governo italiano com membros do movimento dos coletes amarelos, encontros considerados "provocatórios". Em comunicado o ministro dos Negócios Estrangeiros do governo de Macron garantiu mesmo que este "ataque manipulador" não encontra precedentes desde a Segunda Guerra Mundial.

A França foi, nos últimos meses, o alvo de repetidos ataques infundados e e comunicados ultrajantes", defendeu o ministro dos Negócios Estrangeiros francês em comunicado.

Nos últimos meses, os dois vice-primeiros-ministros de Itália, Matteo Salvini e Luigi Di Maio confrontaram Emmanuel Macron com diversas questões e encontram-se mesmo com representantes dos coletes amarelos. Esta situação é vista pela diplomacia francesa como uma mudança "nas intenções italianas para com a França".

Já depois do embaixador francês em Roma ter partido para Paris, onde se vai encontrar com Macron, Salvini veio a público defender a relação entre "os dois países amigos" e mostrou-se disponível para uma cimeira com o presidente francês. Apesar da tentativa de arrefecer a crise diplomática, o líder do movimento populista 5-Estrelas pediu para "a França deixar de empurras os migrantes para o sul" e pediu a extradição de 15 membros da extrema esquerda exilados em França. 

Esta troca de acusações junta-se a uma já conturbada relação entre Itália e os membros da União Europeia. Em outubro, na apresentação dos orçamentos do Estado, o documento italiano foi chumbado pelos parceiros comunitários. Ao longo de várias semanas especulou-se à volta de sanções, mas, em dezembro, os ministros das finanças dos 28 acabaram por aprovar o documento.