O Papa Francisco afirma na carta apostólica "Misericordia et Misera" que a misericórdia não pode reduzir-se "a um parêntese na vida da Igreja", mas constitui a sua própria existência, que "torna viável e palpável a verdade do Evangelho”.

Esta declaração de Francisco consta da carta apostólica "Misericordia et Misera” (“Misericórdia e Miséria”), emitida na conclusão do Ano Santo Extraordinário da Misericórdia, celebrado pelos católicos, de dezembro de 2015 a novembro último, e publicada esta semana em Língua Portuguesa pela Paulus Editora.

Este foi o 29º Ano Santo celebrado pelos católicos e sobre o evento o Papa Francisco escolheu as palavras de Santo Agostinho “Misericórdia e Miséria” (“Misericórdia e Miséria”) para abrir a carta.

Santo Agostinho, sobre o episódio relatado no Evangelho segundo S. João, em que Jesus Cristo encontra a adúltera, comentou: “Ficaram apenas eles os dois: a miserável e a misericórdia”, cita o Papa, que em seguida explica que “não podia encontrar expressão mais bela e corrente do que esta para fazer compreender o mistério do amor de Deus quando vem ao encontro do pecador”.

Para o Sumo Pontífice, este episódio é um “ícone” de tudo o que se celebra no Ano Santo, que encerrou a 20 de novembro último, e que aponta como um “tempo rico em misericórdia, a qual pede para continuar a ser celebrada e vivida nas nossas comunidades”.

“Tudo se revela na misericórdia, tudo se compendia no amor misericordioso do Pai”, sentencia o Papa Francisco.

Na carta, Francisco sublinha que declarou o 33º domingo do Tempo Comum da liturgia católica, o Dia Mundial dos Pobres, precisamente quando se celebra a solenidade de Cristo Rei do Universo, “que se identificou com os mais pequenos e os pobres”.

Este dia, prossegue o Papa, irá “ajudar as comunidades e cada batizado a refletir como a pobreza está no âmago do Evangelho e a tomar consciência de que não poderá haver justiça nem paz social enquanto Lázaro jazer à porta da nossa casa”, numa referência ao episódio do mendigo Lázaro relatado no Evangelho segundo S. Lucas.

O Dia Mundial do Pobres, proclamado pelo líder da Igreja Católica, “constituirá uma forma genuína de nova evangelização, procurando renovar o rosto da igreja na perene ação de conversão pastoral para ser testemunha da misericórdia”.

Redação / AR