O candidato presidencial da direita francesa, o antigo primeiro-ministro François Fillon, foi acusado, nesta quarta-feira, de pagar meio milhão de euros à mulher para não fazer nada.

Em França, um deputado pode empregar um familiar, no entanto, de acordo com o jornal satírico francês Le Canard enchaîné, Penelope Fillon não fez nada no tempo em que foi assistente parlamentar do marido, nem quando o substituiu na Assembleia Nacional. O semanário escreve mesmo que não conseguiu encontrar qualquer prova de que Penelope efetivamente trabalhou no parlamento, entre 1998 e 2002. A publicação acrescenta mesmo que nenhuma das fontes com que falou sequer se cruzou com a visada durante aquele período.

Mas as acusações não ficaram por aqui. O Le Canard enchaîné também acusa a mulher de Fillon de ter recebido cerca de 5000 euros mensais entre maio de 2012 e dezembro de 2013 enquanto trabalhou numa publicação literária, propriedade de um amigo do antigo primeiro-ministro, sendo que nesse período de mais de um ano e meio escreveu apenas duas críticas literárias.

Confrontado pelos jornalistas, durante uma ação de campanha em Bordéus, François Fillon manifestou-se "insultado pelo conteúdo e pela misoginia da notícia".

Só porque é minha mulher não tem o direito de trabalhar? Consegue imaginar um político a dizer, como esta história insinua, que a única coisa que uma mulher sabe fazer é compota?", condenou o candidato.

Também o porta-voz de François Fillon saiu em defesa de Penelope, negando qualquer irregularidade e garantindo que nunca se tratou de trabalho fictício.