O candidato presidencial francês François Fillon está envolvido numa nova polémica. A imprensa francesa dá conta que Fillon recebeu 50.000 dólares (cerca de 46.000 euros) para arranjar um encontro entre um milionário libanês e o presidente russo, Vladimir Putin.

O jornal Le Canard Enchainé - o mesmo que revelou a história dos empregos fictícios da mulher, Penelope - noticia que a empresa de consultoria de Fillon, a 2F Conseil, ganhou 50.000 doláres para arranjar um encontro entre Putin e um milionário libanês, que decorreu em 2015.

O porta-voz de Fillon já negou as acusações, afirmando que as “insinuações” do jornal “não têm fundamento”. O Kremlin também já classificou o artigo como uma “notícia falsa”.

As novas revelações surgem uma semana depois de o candidato de direita ter ficado formalmente indiciado por causa da polémica em torno dos empregos fictícios da mulher e dos filhos. Fillon ficou formalmente sob investigação por suspeitas de desvio de fundos públicos e apropriação indevida de fundos.

Recorde-se que a sua mulher, Penelope, terá recebido mais de 900 mil euros num acumular de empregos fictícios pagos por Fillon quando era primeiro-ministro. O antigo governante também terá remunerado os seus dois filhos, com uma verba de rondava os 84 mil euros, como seus assistentes, quando foi senador, entre 2005 e 2007. 

Mas, na terça-feira, os media francesas noticiaram que o inquérito ao candidato presendical foi alargado a suspeitas de "fraude agravada, falsificação e uso de documentos falsos".

É que, segundo o jornal Le Monde, a justiça francesa suspeita que o casal Fillon "terá forjado documentos para justificar os salários" pagos a Penelope, enquanto assistente parlamentar.

O rol de suspeitas que pairam sobre o candidato parece não parar de aumentar. Fillon também é suspeito de ter aceitado um empréstimo de 50.000 euros de um empresário francês, em 2013, e de ter recebido fatos de luxo da marca Arys no valor de 48.000 euros.

Fillon já negou, por diversas vezes, as acusações feitas contra si e recusou sair da corrida presidencial. Ele que, em janeiro, surgia como favorito nestas eleições, ocupa agora o terceiro lugar nas sondagens e consultas de opinião.

No primeiro debate com os candidatos presidenciais, que ocorreu na segunda-feira, Fillon justificou-se desta forma: “Cometi erros. Quem nunca cometeu?”.