Angola perdeu dois grandes homens de letras nos últimos dez dias. O poeta e jornalista angolano Frederico Ningi morreu na segunda-feira, em Luanda, vítima de morte súbita, depois de o também poeta e escritor António Panguila ter morrido a 17 deste mês, em Luanda, aos 55 anos, vítima de um acidente vascular cerebral (AVC).

A União dos Escritores Angolanos (UEA) Frederico Ningi refere, esta terça-feira, que Ningu foi um "poeta da novíssima geração de [19]80 e das incertezas, com uma postura iconoclasta, caracterizada por um permanente jogo de letras e de palavras". Foi membro da UEA e tinha um estilo literário "desestruturador" e consciente da norma da Língua Portuguesa.

O poeta e jornalista nasceu em Benguela, a 17 de fevereiro de 1959, e integrou o "Catálogo Internacional de Artistas Contemporâneos Africanos", publicado em França, tendo sido membro da União Nacional dos Artistas Plásticos (UNAP) e da International Writersand Artists Association (IWAA).

Frederico Ningi notabilizou-se como poeta com as obras "Os Címbalos dos Mudos" (1994) e "Infindos nas Ondas" (1998). Como artista plástico e fotojornalista, trabalhou no Jornal de Angola e destacou-se nos programas culturais da então Televisão Popular de Angola (TPA), atual Televisão Pública de Angola.

A 17 de novembro, também o poeta e escritor António Panguila morreu, em Luanda, aos 55 anos, vítima de um acidente vascular cerebral (AVC).

Era licenciado em Ciências de Educação, na especialidade de História, pela Universidade Agostinho Neto, tendo apresentado a tese intitulada "Impacto Histórico-Literário do Ohandanji, 1984/1994".

Foi vencedor, em 1996, da primeira edição do Prémio Literário de Poesia Cidade de Luanda, por ocasião das comemorações do 420.º aniversário da capital de Angola.

Os seus textos estão publicados em jornais e revistas nacionais e estrangeiras, nomeadamente, na Revista Novembro, Jornal de Angola, Suplemento "Domingo" de Maputo, Moçambique e Revista Cassendo, da Associação Angola-Portugal.

Natural de Luanda, onde nasceu em 25 de julho de 1963, deixa um legado literário constituído pelas obras "Vento do Prato" (1993), "Amor Mendigo" (1997), "Agostinho Neto: Libertador e Homem de Cultura" (2003) e "Corpo Molhado de Prazer" (2011).